Como diria o coroné, tô certo, ou tô errado?

Como diria o coroné, tô certo, ou tô errado?

Menos de uma semana se passou e as bonecas e comadres da blogosfera já estão em polvorosa, dando chiliquinhos e postando defesas e justificativas em seus blogs e tuíeteres e orkuts. O motivo da frescurada dessa semana foi uma declaração do José Saramago ao jornal Clarín. Entre outras coisas, Saramago disse, em relação aos blogues, que “está se escrevendo mais, porém pior”. E o escritor completa: “A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve”. E ele fala que as pessoas utilizam blogues para escrever coisas rápidas e sem a linguagem correta, e diz ainda que tem o mesmo cuidado com um texto em seu blogue que tem com uma página de um romance.

Aí já viu, foi um tititi danado na blogosfera. Todo mundo reclamou, chiou, deu piti, enfim, as orelhas do Saramago devem estar queimando. E eu sei que a verdade dói, mas ele está 150% certo.  MUITOS dos blogs, pra não dizer a esmagadora maioria, se preocupa pouquíssimo com a qualidade do que escrevem. Relevância então, nem vou tocar no assunto. A tal democratização que a popularização dos blogues criou teve suas desvantagens também, e essa foi uma delas. A falta de qualidade e relevância de 90% do conteúdo da internet hoje em dia. E excluo aqui os blogues pessoais, estilo diário. Estou falando dos blogues que as pessoas escrevem para os outros lerem. Se você escreve você quer que alguém leia. NINGUÉM no mundo escreve algo pra ninguém ler. Até escreve, mas não publica em um blogue.

As pessoas estão escrevendo mais e pior por um motivo muito simples: qualquer um acha que pode escrever. Eu não jogo pelada toda semana porque não sei jogar futebol. Eu não pego um violão na loja e fico fazendo barulho porque não sei tocar. Eu não posto uma música cantada por mim no myspace porque não sei cantar. Então porque qualquer um acha que sabe escrever? Não é elitismo, antes que as bonecas blogosfeirísticas se assanhem, mas se não sabe escrever, tenta aprender, começa aos poucos. Não faz um blog  e sai divulgando por aí se você não tem um bom conteúdo. Não é só porque é fácil de fazer que todo mundo TEM que fazer. e nesse bolo estão muitos blogues “profissionais” também. E antes que alguém diga que “se fulano tem tanta visita deve ser porque o conteúdo é bom”, se lembre que o autor brasileiro mais vendido no exterior é o Paulo Coelho, que o Vampeta foi campeão mundial e que uma das bandas brasileiras atuais que faz mais sucesso lá fora é a banda Calypso. Números altos nem sempre são garantia de qualidade.

Eu também cuido de cada post como se fosse para ser publicado em um livro. O grande problema da internet é que um número relativamente alto de visitas dá a falsa impressão de que o que foi escrito tem relevância e qualidade. Não nos esqueçamos que QUALQUER blogue tem audiência, mesmo que baixa, seja sobre o assunto que for. Por que ao invés de se indignar e ficar enchendo a porra do meu caso choramingando porque o Saramago falou isso, os blogueiros que se sentiram ofendidos não param pra pensar se seus blogues são tão bons assim? Se são tão relevantes assim? Do mesmo jeito que há livros, revista e jornais ruins, há blogues ruins. Só que muito mais, porque fazer um blogue é de graça. Maldita democracia.

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Bom, eu já sou odiado por publicitários, blogueiros e leitores, agora serei odiado pelos jornalistas. Quer dizer, por alguns deles. Como muitos de vocês devem saber, hoje pela manhã o STF derrubou a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Tirando as declarações infelizes do ministro Gilmar Mendes, concordo em gênero, número e grau com a decisão do egrégio tribunal. Dado o número de faculdade de comunicação existentes e a baixa qualidade do ensino da maioria de muitas delas, são despejados milhares de “jornalistas” no mercado todo ano. Entre aspas sim, pois só o diploma faz de alguém um jornalista? Tenho amigos professores universitários, e posso garantir: a cada dez provas/trabalhos de alunos do ÚLTIMO PERÍODO de jornalismo que eu vejo, oito tem problemas GRAVÍSSIMOS de português, coesão textual, interpretação e de propagação clara das próprias idéias. São erros crassos que já não seriam admissíveis a alunos do segundo grau, quanto mais a quase “jornalistas”.

A maioria dos recém-formados em jornalismo que conheço demoraria duas horas para escrever um texto de vinte linhas, e talvez nem conseguissem. Jornalismo, assim como publicidade, não se aprende em um banco de faculdade. Se aprende na prática. Até porque, um jornalista recém-formado está preparado para o mercado, como um engenheiro está, ou um arquiteto, ou um advogado? A carga de conhecimento prático NECESSÁRIO aprendido nas cadeiras de comunicação social não chega a dez por cento. O resto é conhecimento geral, filosofia, sociologia, português etc. Para aprender isso é preciso um diploma?

Sinceramente, eu vejo uma geração de jornalistas neuróticos, tirando fotografias urgentes e fazendo microtextos para poder dar o furo – no bom sentido – antes de algum site ou portal. Vocês conhecem algum jornalista novato que vai segurar o bastão – no bom sentido de novo – do Millor, do Xexéo, do Verissimo ou do Luiz Garcia? Vocês vêem hoje em dia um grupo capaz de tocar uma Manchete ou um Pasquim? Nem eu. Mas vejo dezenas de “jornalistas” doidos pra soltar notinhas em seus blogs ou nos blogs dos veículos contando alguma novidade ou dando alguma manchete antes da TV ou do jornal impresso.

O jornalismo não anda bem das pernas, fato. A concorrência com a internet tem desferido golpes doloridos da imprensa tradicional. Não dá pra lutar contra isso. Velocidade da informação e colaboração vão ser o ponto forte da internet por muito tempo. Mas do mesmo jeito que 80% dos jornalistas novos têm graves problemas de formação, 90% dos blogues são uma grande porcaria. E digo mais: 90% dos cem maiores blogues do Brasil são uma boa porcaria. São repetições de piadas, comentários engraçadinhos sobre alguma coisa, fofoquinhas ou montagens de fotos. Esta queda da obrigatoriedade do diploma pode, na minha opinião, salvar o jornalismo. Se o jornalismo tradicional se focar mais no conteúdo, como era feito antigamente com o famoso e saudoso jornalismo literário, a internet não será ameaça. Quantos blogueiros hoje em dia seriam capazes de matérias e textos densos, relevantes e opinativos? Muito menos do que jornalistas já em atividade. A volta do jornalismo opinativo, literário e de conteúdo pode salvar a pele da imprensa. Muita gente procura rapidez nas notícias, mas muito mais pessoas procuram conteúdo bom, de qualidade, relevante e bem escrito. Enquanto os jornalistas dos supermercados da educação e os puristas estão subindo as tamancas, os bons profissionais e os jornalistas que preferem escrever uma matéria em uma hora do que dar vinte notícias em meia hora sabem que o lugar deles está guardado.

* o título do texto é uma referência ao que o Alexandre Inagaki disse no twitter algumas horas atrás.

Eu costumo dizer que escrever carta de amor é mais fácil que achar música dos Beatles com nome de mulher. O tema é bacana, a inspiração vem fácil, enfim, é um dos temas mais prazerosos de se escrever sobre. Ainda mais pra quem vive – ou pelo menos tenta viver – da pena, como eu. Mas e quando você já escreveu mais cartas de amor do que consegue lembrar? E quando a sua namorada anda triste porque o namorado escritor dela não a escreve nada há meses? O que você faz? Vou te dizer o que você faz: uma carta de amor, como as outras, ridículas.
Depois de algumas namoradas e centenas de cartas, a principal característica que se nota é o amadurecimento. Se antes eu pensava em morar sozinho por causa da minha liberdade e em morar na cidade porque é perto de tudo, com a minha namorada hoje em dia eu penso em morar em uma casa, porque vai ser bom pros nossos filhos, e penso em morar não tão perto assim da cidade, porque ela é alérgica e um pouco de cheiro de mato vai fazer bem.
O salário que antes eu almejava para comprar um carro melhor ou um videogame novo, hoje não é suficiente, pois os planos mudaram e eu comecei a pensar em escolas pros nossos filhos em alguns anos e em proporcionar a ela no mínimo o padrão de vida que ela possui hoje. Na minha cabeça meu carro não é mais meu, meu dinheiro não é mais meu e, principalmente, meus planos não são mais meus. São nossos.
E quando eu me peguei pensando que vamos ter que ter um escritório em nossa casa, porque eu gosto de escrever de noite e se o computador ficar no quarto vai atrapalhar o sono dela, que dorme cedo? E quando eu começo a fazer anotações sobre livros que meus filhos vão ler, músicas que eles vão escutar e padrinhos pra eles? Isso tudo sem ainda sequer ter casado.
Depois de muitas namoradas e muitas cartas, tem-se a desvantagem da falta de assunto, claro. Mas se tem também a clara vantagem de se ver o que ontem era somente amor e paixão se transformar em vontade de construir uma vida junto com alguém. Não costumo usar o blogue para assuntos panfletários, mas as vezes me parece que você, do auto da sua insegurança de mulher linda que tem medo de borboleta, acha pouco lhe falar somente ao ouvido que eu te amo e que quero me casar com você. Por isso eu estou te falando agora, pra todos lerem, comentarem e encherem meu saco depois: eu te amo.

Eu costumo dizer que escrever carta de amor é mais fácil que achar música dos Beatles com nome de mulher. O tema é bacana, a inspiração vem fácil, enfim, é um dos temas mais prazerosos de se escrever sobre. Ainda mais pra quem vive – ou pelo menos tenta viver – da pena, como eu. Mas e quando você já escreveu mais cartas de amor do que consegue lembrar? E quando a sua namorada anda triste porque o namorado escritor dela não a escreve nada há meses? O que você faz? Vou te dizer o que você faz: uma carta de amor, como as outras, ridículas.

Depois de algumas namoradas e centenas de cartas, a principal característica que se nota é o amadurecimento. Se antes eu pensava em morar sozinho por causa da minha liberdade e em morar na cidade porque é perto de tudo, com a minha namorada hoje em dia eu penso em morar em uma casa, porque vai ser bom pros nossos filhos, e penso em morar não tão perto assim da cidade, porque ela é alérgica e um pouco de cheiro de mato vai fazer bem.

O salário que antes eu almejava para comprar um carro melhor ou um videogame novo, hoje não é suficiente, pois os planos mudaram e eu comecei a pensar em escolas pros nossos filhos em alguns anos e em proporcionar a ela no mínimo o padrão de vida que ela possui hoje. Na minha cabeça meu carro não é mais meu, meu dinheiro não é mais meu e, principalmente, meus planos não são mais meus. São nossos.

E quando eu me peguei pensando que vamos ter que ter um escritório em nossa casa, porque eu gosto de escrever de noite e se o computador ficar no quarto vai atrapalhar o sono dela, que dorme cedo? E quando eu começo a fazer anotações sobre livros que meus filhos vão ler, músicas que eles vão escutar e padrinhos pra eles? Isso tudo sem ainda sequer ter casado.

Depois de muitas namoradas e muitas cartas, tem-se a desvantagem da falta de assunto, claro. Mas se tem também a clara vantagem de se ver o que ontem era somente amor e paixão se transformar em vontade de construir uma vida junto com alguém. Não costumo usar o blogue para assuntos panfletários, mas as vezes me parece que você, do auto da sua insegurança de mulher linda que tem medo de borboleta, acha pouco lhe falar somente ao ouvido que eu te amo e que quero me casar com você. Por isso eu estou te falando agora, pra todos lerem, comentarem e encherem meu saco depois: eu te amo.

Bom, com a modéstia e a benevolência que me são de costume, resolvi aceitar a sugestão de um amigo e criar uma seção nova aqui: a Pergunte ao Ego. Lendo uns comentários antigos aqui do Ego mesmo e em outros blogs, percebi que alguns comentários/indagações/elogios mereciam uma resposta pública. Porém, não farei isso com meus incautos leitores desavisados. Por isso, daqui pra frente, você, que quer saber alguma coisa, falar alguma coisa, abrir seu coração ávido pela minha sabedoria ou só aparecer mesmo, me mande um email no endereço que tá ali em cima (leoalcoforado@gmail.com), que eu lhe respondo através de um post. Podem perguntar qualquer coisa e falar o que quiserem. Só não se esqueçam que eu também posso…

     Inspirado por uma amiga que dá aulas de português e amarrou seus alunos das cadeiras e os obrigou a ler meu blogue, decidi escrever sobre o segundo tema mais comum em crônicas depois da falta de assunto: a própria crônica. A crônica foi, e ainda é para algumas pessoas, infelizmente, considerada um gênero menor. Para estas pessoas, a crônica não tem a seriedade e o sentimento da poesia nem o peso e o fôlego do romance. Este pensamento não é mais predominante e começou a perder espaço quando grandes escritores começaram a se bandear pro lado das crônicas, como Machado, Drummond, Nelson Rodrigues etc. E hoje em dia o sucesso e o respeito pela crônica se deve em grandessíssima parte a um sujeito chamado Luis Fernando Verissimo, simplesmente o melhor escritor brasileiro vivo. Ele mostrou que crônica não é subgênero. Muito pelo contrário.

 

      Eu costumo, com relação à crônica, citar Picasso. Uma vez um repórter perguntou ao Picasso por que ele “desconstruía” a arte nos quadros dele, por que ele subvertia a arte, enfim, por que ele não pintava como os outros pintores de seu tempo, que faziam obras quase perfeitas tecnicamente. E o mestre respondeu, calmamente, que para ter a liberdade que ele tinha e para “desconstruir” como ele fazia, ele passou anos aprendendo a “construir” e aprendendo a técnica, para poder enfim se libertar. Bom, como eu acabei de inventar esta história, vou explicar melhor. Um bom cronista não é alguém que “só” conseguiu escrever crônicas, e por isso ele o faz. É um sujeito que escreve bem qualquer coisa, e ele resolveu usar seu talento para algo que lhe satisfizesse, no caso a crônica.

 

      Outro fator pelo qual os autores de crônicas devem ser respeitados e a crônica entendida como literatura de verdade é o assunto. Em um romance você tem um assunto, desenvolve ele e temos um romance. Na crônica, cada obra é um assunto. E se for um cronista diário, como o LFV, haja inteligência e talento para falar de tantas coisas de maneira que as pessoas se interessem. No caso do Verissimo, eu por exemplo cada vez que o leio penso “Ahá, agora não tem mais assunto, quero só ver!”, mas ele inventa um assunto e faz uma crônica melhor que a outra, sempre. Uma boa crônica é aquela que você lê e pensa “É isso mesmo! Como eu não pensei nisso antes?”. Porque as idéias e os assuntos são simples, o que faz de um cronista um BOM cronista é a maneira que ele fala sobre qualquer assunto, fazendo-o ficar interessante. É aquele texto que você lê concordando até o fim, se identifica com ele. A crônica fala a língua das pessoas comuns. Fala de assuntos comuns, corriqueiros. É aquele texto que te faz achar que é muito simples de fazer, muito fácil. Mas não é. Pelo contrário. É muito fácil escrever um livro ou um texto longo de forma rebuscada, difícil de entender. No caso da crônica, o feedback do leitor é na hora. Ele lê e já dialoga com o texto.

 

      A crônica é o gênero mais gratificante de escrever. A resposta das pessoas é imediata. Você muda a vida de uma pessoa com um texto, alegra uma pessoa doente, ajuda alguém a manter um namoro, estimula alguém que quer começar a escrever, enfim, vale a pena.  Não dá dinheiro, você não vai pra ABL, não vai ganhar um Jabuti nem um prêmio internacional de livros, mas vale a pena. A não ser que você seja o Verissimo. Aí você ganha dinheiro, tem chances de entrar pra ABL, ganha prêmios e tudo mais. E você sabe que está mudando a vida das pessoas quando, em um texto como este, você tem seu nome citado diversas vezes. Se eu conseguir mudar e tocar alguém como o Verissimo fez comigo, vai ter valido a pena. Claro que vender milhares de livros também não ia ser nada mal. Ah, e o “toque” dele não foi nada disso que você tava querendo fazer piadinha aí nos comentários. Apesar de gaúcho ele é um sujeito sério e a minha namorada é ciumenta.         

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