Eu sempre fui estranho. Mais do que parece. Nunca fui de esquerda. Nunca flertei com o comunismo, sempre achei o Getúlio um ditador de merda; nunca tive raiva do capitalismo nem nunca tive pena de bandido. Nunca fui politicamente correto e jamais, repito, jamais, fui solidário aos Sem Terra, às Farc ou qualquer outro grupo pseudo de esquerda. E hoje que isso tudo tá na moda, admitir isso é praticamente contar pro pai que ta dando pro caseiro. Se você for homem, claro.

Eu sou meio reacionário com essa playboyzada “de esquerda”, que critica a polícia, o governo e o escambau, mas não abre mão do baseadinho e das férias em Búzios. É muito fácil falar mal do cara que tem uma fazenda de milhões de hectares quando a fazenda não é sua. Nunca vi ninguém comprar uma fazenda e dar ela aos pobres. Disso podemos deduzir duas coisas: que jamais um comunista ficou rico ou que é muito fácil ser comunista com o dinheiro dos outros.

Sempre fiquei puto com quem critica o Roberto Marinho. Se esses hipócritas que falam mal dele fossem donos das Organizações Globo teriam feito o que? Caridade? Doar a sede pra construir casas populares? Claro que não, teriam feito exatamente o mesmo que ele fez, se não pior. É fácil criticar os EUA, mas se o Brasil fosse a maior potência do mundo, alguém aí acha que seríamos o Dalai Lama dos países? Nunca. Faríamos exatamente a mesma coisa que TODOS os impérios fizeram até hoje. É a famosa cortesia com o chapéu dos outros. Jovem hoje tem mania de querer ser Madre Teresa: defende bandido, Sem Terra, fala mal de propaganda, da mídia, mas faz o que pra melhorar tudo? Vendem os ipods deles? Abrem mão da mesadinha pra ajudar algum abrigo? Pois é, caridade verbal é muito fácil. Como dizem, é muito fácil ser valente a uma distância segura, ou, adaptando, é muito fácil gritar pela reforma agrária quando o terreno não é seu.

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