É chegada a hora. Em dois anos e meio esse blogue já foi palco de textos para cinco mulheres, das quais duas foram namoradas oficiais. E como diria o poeta, não mais que de repente o cetro de primeira-dama (no bom sentido, claro) mudou de mãos. Claro, não foi uma mudança de mão em mão, mas mudou. E uma nova primeira-dama se faz notar no horizonte do Ego, e o momento esperado por muitos (por ela, inclusive), é chegado. O momento do primeiro texto público para uma namorada nova é um momento delicado. Há de se ter cuidado com as palavras para não magoar a(s) anterior(es) e, no meu caso esse é um problema seriíssimo, há de se evitar inevitáveis comparações com os textos para as outras. Tanto por parte da atual senhora quanto por parte dos fãs. Comentários aí embaixo do tipo “eu preferia os textos pra Shyrley. Eram bem melhores” podem causar rompimento da relação e, em casos extremos, castração (minha, claro).

Namorada nova é que nem caderno novo: revigora um pouco a gente, dá um gás a mais. Isso sem falar que, no meu caso, eu estou namorando uma pessoa que eu conheço há alguns meses e com a qual jamais havia passado pela minha cabeça ter a menor relação afetiva. Então aquele estalo de “porra, não acredito que eu to namorando você” é recorrente. Mas o mais incrível é ver, hoje, características que você nunca havia imaginado que essa pessoa tivesse. Qualidade e defeitos. É impressionante imaginar como se pode amar uma pessoa pela qual há poucos meses não se imaginava sequer um beijo roubado.

Namoros que começam pouco tempo depois de terminado o anterior têm, além desses, outros problemas. A insegurança é um deles. A sombra da outra pessoa se faz presente por algum tempo, mas logo se dissipa. E a segurança toma seu lugar e a calmaria paira. E a rotina, não a rotina ruim, nos enche de calma e certeza. A família, os amigos, enfim, nesse momento de difícil começo, tudo conspira a favor. E tardes assistindo Sílvio Santos ou noites sucessivas de cinema se tornam peças-chave nesse começo, provando que os percalços até ali ocorridos não passaram de provas que todo o resto valeria a pena.

E quando essa namorada nova se mostra uma pessoa mais teimosa que amortecedor de caminhão e mais geniosa do que mulher de deputado, a transição é ainda mais difícil. O que acontece quando uma força que não pode ser parada encontra um objeto que não pode ser movido? É o que estamos descobrindo. Eu tenho a discussão e a argumentação correndo nas veias, e argumentos de gente birrenta e teimosa como “porque eu quero”, “porque não” ou “vamos deixar isso pra lá”. Eu nunca deixo nada pra lá. Nunca. Nada. Eu sou uma força que não pode ser parada, e ela é um objeto que não pode ser movido. Não podia. A minha experiência e o constante exercício da oratória em discussões sobre futebol, religião e ideologias me fizeram ser uma força mais incontível (se é que existe essa palavra) do que ela ser um objeto irremovível. Já a consegui mover alguns centímetros.

E assim vamos. Nos conhecendo melhor, cedendo aqui, pressionando ali. Aos poucos os “não acredito que eu to namorando você” vão desaparecendo e dando lugar ao “parece que foi ontem…”. Conforme a pilha de cartões e a conta dos presentes vão aumentando, as afinidades vão se tornando mais fortes e a vida em comum se torna mais e mais comum. Boa sorte pra nós e me desculpem o tom pomposo e sério, mas o primeiro texto é sempre difícil.nos outros prometo voltar a desfilar minha genialidade de volta a caminho do humor e da galhofa.

p.s.: comentários dizendo que meus textos pra outras namoradas eram melhores, além de ignorados serão alvo de humilhação pública e empalamento. E pros que gostam de ser empalados, vão queimar na fogueira. E pros que gostam de queimar, vão tomar no meio dos seus cus. Porra, e pra quem gosta disso também não enche meu saco. Enfim.