“Candidatos epiléticos se debatem na TV.”

“Candidatos gays são tudo na reta final”

Nelson Ned é o novo Menudo”

Calma, calma. Antes de denunciar o Ego pro google, acionar seus advogados e mandar o Sting e o Bono reclamarem da gente, eu explico. As frases acima, incluindo a do título, foram manchetes do Planeta Dirário.  Pra quem não sabe, o Planeta era uma publicação sensacional, capitaneada pelos Cassetas Hubert e Reinaldo, e pelo Cláudio Paiva. Os caras não tinham o menor pudor nem auto-censura. O tablóide foi publicado entre 1984 e 1992. Pra alguém que deve ter sido processado por Deus e o mundo, oito anos não são pouca coisa. Com manchetes desse tipo,  minha enorme inveja e admiração por eles é compreensiva.

Cada época tem o humor que merece

Cada época tem o humor que merece

Aliás, mais do que inveja deles eu tenho é inveja da época em que as pessoas que não tinham o que fazer iam pra orgias, fundavam clues de chá ou se candidatavam a presidente, e não ficavam por aí reclamando que tudo é imoral, ofensivo, chato, bobo, feio e cara de melão. O humor negro sempre esteve presente nas piadas, e não vai deixar de estar nunca. Depois dessa onda politicamente chata, preto não pode mais ser safado, nem bicha pode ser promíscua, senão é preconceito. Só se pode fazer personagem preto em novela se ele for bomzinho, e gay tem que ser correto, falar melhor que o Pasquale, ser bonito, sincero, fiel e um exemplo de probidade e cidadania.

Hoje em dia, ser preto, homossexual ou qualquer outra minoria é sinônimo de coitadinho. Ninguém pode te ofender, te negar um emprego ou não querer namorar você. Porra, eu tenho todo o direito de falar que um preto é safado se ele realmente é safado. Ou se um gay me desrespeita, eu tenho todo o direito de tirar satisfação, como uma mulher faz com um homem que a desrespeita. E tenho dito.

 

Ueeeeepaaaaa!!!! Quérida, eu sou preta, homossexual... Se eu fosse judeu iam criar um pais só pra mim! Não mexam comigo, invejosas!

Ueeeeepaaaaa!!!! Quérida, eu sou preta, gay... Se eu fosse judeu iam criar um país só pra mim! Não mexam comigo, invejosas!

Resumindo: o mundo ficou chato, os pretos ficaram todos honestos e os homossexuais ficaram todos fiéis e honestos. E eu? Me chamar de quatro olhos, magrelo ou nerd pode, mas se quem me chamar for preto e eu xingar ele de viado é racismo? Espero que vocês, nossos leitores, tenham a mente aberta e concordem com a gente. Senão vou começar a torcer pros meus filhos nascerem pretos, veados e torcedores do botafogo. Eles vão ter o mundo pra defender eles dos humoristas malvados e preconceituosos, como nós…

N.E. (Nota do Editor, imbecis): Augusto Ponte Preta é preto, dizem que é viado, nasceu em Niterói, assiste o Domingão do Faustão e é torcedor do Fluminense.