Bom, esse texto não é meu. Só fiz isso uma vez – tirando citações dos famosos. Uma amiga resolveu escrever sobre o que pensa a respeito dos escritores, e sobre assuntos mais íntimos dela, a pedido de um amigo. Achei bacana, e é legal porque o texto traduz exatamente o que eu, escritor, penso sobre escritores. Não vou dizer o nome da amiga porque ela é tímida e não gosta de aparecer que nem eu. Espero que vocês gostem, e por favor comentem, senão ela acha que vocês não gostaram dela e só amam e só bajulam a mim. Bom, vamos ao texto.

“A Pedido de um Escritor…
 
(Um minuto olhando para o computador…)
          Bem é assim que alguém que não é escritor fica antes de qualquer tentativa de iniciar um texto… Pra que cargas d`água fui prometer isso a alguém? Não sei… não sei mesmo. Mas, enfim, ser escritor não deve ser difícil, né… Aliás, recordo-me muito bem dos meus tempos de infância, em que eu criava um mundo de fuga em um pedaço de papel e me divertia… divertíamo-nos eu, eu mesma e… e mais ninguém! Pensando por esse meu lado, deixado no passado, ser escritor parece ser muito triste, muito solitário, muito… confuso! Conheço alguns assim… não triste nem solitário, mas confuso! E não sei por que essa confusão me afeta! Enfim… mas um escritor já me disse um dia que o maior problema que ele enfrenta por ser escritor é o fato de as pessoas acharem que tudo que ele escreve é verdade! Confesso que não entendo muito bem essa de pseudônimos. Por que alguém assina um texto com um nome qualquer, se quem escreveu foi o próprio? Por que transferir pensamentos e idéias para alguém que simplesmente nem existe? Acho que é por isso que não sou escritora. Para mim, escrever é tornar vísivel a alma. É se fazer perceber a partir do seu íntimo. É falar sem falar. É desabafar!
          Esse texto ridículo tá sendo tão esperado, que, quando lerem, vão se decepcionar. Afinal, não deve ser muito bem o que se esperava. Muito menos se compara ao texto de um escritor de verdade! Mas é assim que eu sei… fazer o quê? Ao mesmo tempo em que estou tentando expor o que penso, estou totalmente incomodada. Nunca senti isso antes. Vai ver é porque meus textos de infância eram sobre o meu mundo de fuga, e hoje eu escrevo sobre a minha fuga do mundo. Fuga que apenas está na mente, mas que ainda não foi colocada em um papel antes desse momento, nem fará parte da vida real. Pelo menos, não por enquanto. Porque eu não quero fugir.
 
(Mais um minuto olhando para o computador… momento de reflexão de um escritor que não é escritor)
 
          É… parece que houve uma mudança de idéia repentina sobre a fuga. Não quero mesmo fugir; não da forma como eu deveria fugir. Mas eu aceitaria fugir com alguém que sempre me faz um convite para fugir. Fugir, fugir, fugir… Taí, uma idéia interessante, mas praticamente impossível. Acho que o jeito é começar a aceitar isso e voltar para o meu mundo de fuga antigo, da infância, do meu eu, eu mesma e mais ninguém! Talvez eu me torne mais feliz. Não tanto quanto se eu tivesse fugido com a pessoa certa.
          Aliás, pessoa certa… existe isso??? Se existisse pessoa certa já não nasceríamos destinados a encontrá-la? Seria tudo muito mais fácil! Mas seria feliz???? Particularmente, acho que não. Não haveria motivo para viver tanto. Vivemos sempre em busca de algo que renove a cada dia a nossa vontade de viver. E o mais é engraçado é que todos passam por um momento em que pensam que vão morrer antes da hora, seja na perda de um ente querido ou no fim de um relacionamento de anos. Mas a vida é tão incerta, cheia de supresas… sempre surge um novo alguém que nos traz a vontade de viver de volta, seja um filho, seja um novo amor. Essa é a beleza da vida: a incerteza! A incerteza do amanhã, do que seremos quando crescer, com quem casaremos e de quantos filhos teremos. Até o rostinho dos nossos filhos são incertos em um momento da vida, e ficamos muito felizes ao vê-los.
 
          É… acho que pra alguma coisa serviu esse pedido do escritor para mim. Refleti. Descobri que penso de uma maneira que jamais imaginei pensar. Obrigada, escritor!”