Eu prometi pra mim mesmo que não ia falar disso. Não agüento mais receber emails e ler notícias sobre o Daniel Dantas, sobre o iphone, sobre o novo Batman e sobre a tal ‘lei seca’. Apesar de fanzaço da apple e mais ainda do Batman, não agüento mais. Mas a edição de hoje d’ O Globo acabou com a minha paciência. O Joaquim Ferreira dos Santos é um dos melhores cronistas brasileiros – e olha que pra eu falar isso tem que ser mesmo. Mas dessa vez ele pisou na bola.
Mas a nota em questão fazia uma troça, dizendo que a inauguração de uma exposição em uma pizzaria do Rio, hoje, perigava virar uma manifestação contra a tal ‘lei seca’. Estarão presentes o Ziraldo – O Mestre -, o Miguel Paiva e o Chico Caruso. No fim, a piada que apertou o botão vermelho da minha revolta. O colunista termina a nota com a frase “focalizam a boemia carioca, essa nostalgia”. Joaquim, me desculpe, mas essa não dá pra passar em branco. Tenho certeza absoluta que o Ziraldo, o Miguel e o Chico, assim como o Millor, o outro Caruso, o Paulo, o Jaguar e os outros remanescente da boemia carioca não vão sair de lá, ou de qualquer outro lugar, dirigindo de cara cheia. Nenhum deles.
Logo, Joaquim, pra nenhum deles a tal lei seca, que vou suar agora sem aspas, pra não dar trabalho, vai ser um problema. Também sou sempre contra medidas drásticas e que cerceiem a liberdade, mas nesse caso é diferente. Em Londres, por exemplo, só se pode vender bebida alcoólica até a uma da manhã. E ninguém lá dá piti por causa disso. A lei anterior, mais branda, não obteve resultados, e nosso filhos, esposas, pais e amigos continuavam a morrer pelos parachoques impunes de beberrões inconseqüentes. Tem gente que só aprende na porrada, e o brasileiro só aprende na porrada, e com toalha molhada. Você, Joaquim, deve saber melhor do que ninguém, que o Ziraldo, Jaguar e cia, não serão prejudicados por essa lei.
Porque quem vai à um bar, como eles vão, com o intuito de castigar o fígado, não vai de carro. Vai, como o Jaguar deve ir, por exemplo, de táxi. Ou com algum amigo abstêmio a tiracolo, como eu, por exemplo. Admito que pra quem bebe um copo, ou uma dose, a lei pega no pé. Mas infelizmente o povo só aprende desse jeito. Eu não sou fascista, detesto qualquer tipo de censura, com qualquer um pode perceber aqui pelo blogue. Mas nesse caso, prefiro uma lei que incomode muita gente, do que uma lei que mate mais gente ainda. Me desculpa, Joaquim, o mau jeito. Sou seu få de carteirinha, e, ao lado do Verissimo, do Xexéo, do Dapieve e do Mario Prata, lhe considero um dos melhores cronistas brasileiros vivos. Mas hoje tive que discordar, e tenho certeza de que o Ziraldo e cia não pretendiam sair por aí bêbados. Assim como você não o faria. E aposto que você vai concordar que vinte pratas em um táxi na volta pra casa, no fim das contas, saem muito mais barato do que ter um filho ou uma namorada atropelados por alguém que acha que bebeu pouco. Abraços. Grato pela atenção.

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