Em sua coluna de hoje n’O Globo, a Cora Ronai fala sobre futebol. Mais precisamente, sobre a paixão exercida pelo esporte, e seu lado ruim, o ódio. Ela diz que durante a última Copa do Mundo,  para a qual ela fora para cobrir coisas off-futebol, ela recebeu inúmeras mensagens com, xingamentos e ofensas, e questiona o ódio no futebol, e o fanatismo em torno dele. Cara Cora: primeiro tenho que dizer que sou seu leitor desde o início do Info do Globo, e que além de leitor, sou um admirador inconteste do seu trabalho. Por isso, vou levar pra frente a sua discussão.
Antes de mais nada, nunca, jamais, diga a um homem a frase que está entitulando a sua coluna: é apenas um jogo! Não é apenas um jogo, assim como não adianta dizer que novela é apenas mentirinha nem o governo do Rio é apenas incompetente. Nos três exemplos, a situação é bem mais profunda. Como eu disse, a minha mãe não entenderia seu dissesse que ‘calma, mãe, é só novela. Ele não morreu’. Ou então se eu tentasse argumentar como o Secretario de Segurança do Rio que a policia do Rio ‘não, secretário, a policia do Rio não é só distraída que mata crianças achando que elas são traficantes armados’.
Quem está dentro sente melhor. Se formos levar pelo lado pratico, cara Cora, desculpe o trocadilho, seria muito mais racional e normal, eu me orgulhar – apesar dos pesares – de ser torcedor do Fluminense do que me orgulhar,  por exemplo, de ser brasileiro, ou carioca. Primeiro que ser Fluminense eu escolhi. Eu quis ser Fluminense, escolhi o time com o qual melhor me identifico. Já o pais ou o Estado, eu por exemplo gosto de frio e não ligo muito pra praia, Londres ou Paris seriam escolhas mais acertadas. E segundo que quem, em sã consciência, se orgulha de ser brasileiro, ou muito menos carioca, hoje em dia?
Se meu time não vai bem, não é por mal. Ninguém entra em campo para perder. Meu time, ao contrario do meu pais, não me acharca com impostos exorbitantes, não desvia milhões de obras de hospitais para bancas mansões em Miami nem emprega filhos, cunhados, sobrinhos e o pipoqueiro oficial da família em seu gabinete. Meu time não só não me envergonha como admite quando joga mal, e nunca diz que não sabia de nada.
Quanto à violência, infelizmente é uma característica inerente ao ser humano. Assim como há rivalidade, sadia, entre jornalistas de diferentes jornais, publicitários de diferentes agências e políticos de diferentes partidos – antes de mudarem de lado, claro. Nesses casos, a rivalidade é sadia, e até acontece em tom jocoso na maioria das vezes. Mas no futebol o buraco é mais embaixo. A paixão é mais exacerbada e os ânimos se afloram mais. Como em tudo na vida, quem está do outro lado é sempre o feio, sujo e malvado. Na política, na religião ou no futebol, o adversário sempre representa o mal, o oposto do que acreditamos e queremos, enfim, o inimigo. Só que no futebol isso é levado às últimas conseqüências, pois quanto maior a paixão, maiores os sentimentos ruins que podem a acompanhar, como o ciúme, e, nesse caso, o ódio. Não acho normal, e não odeio os torcedores dos outros clubes. Só estou tentando expressar em palavras que o futebol não é só um jogo. É paixão, amor, solidariedade, sofrimento, orgulho…
Afinal de contas, Cora, quem, em pleno gozo de suas faculdades mentais, se orgulharia de, tal qual um time de futebol, ter dito ao Criador, quando do nosso nascimento, que ‘bom, acho que o Brasil ta legal. Pra ser mais preciso, eu gostaria mesmo é de nascer no Rio.’? Hoje em dia, infelizmente, é mais fácil se orgulhar de torcer pelo Fluminense do que de morar no Rio de Janeiro. Pelo menos as torcidas não metralham carros com famílias dentro nem entregam pessoas à traficantes como ‘presentinhos’…
Obrigado pela atenção, e desculpe a descrença. É mais fácil o Fluminense ser campeão brasileiro que o Rio tomar jeito. E olha que a situação ta preta pra gente. Sem mais, atenciosamente, Leonardo Luz.

Anúncios