Vejam esse vídeo antes de ler o post.

A W/Brasil fez um filme pro Dia dos Namorados pro Serenata de Amor. Nem preciso falar que o vídeo é do caralho, afinal, a W é só a melhor agência do Brasil e uma das cinco melhores do mundo em comerciais pra TV. O flme fala que, quando nos apaixonamos, não nos apaixonamos por uma pessoa de carne e osso, segundo os psicanalistas, mas por uma projeção. E nessa projeção, a pessoa amada é um ser perfeito, inigualável e sem defeitos. Mas depois de um tempo, ainda segundo o filme, a projeção acaba, e passamos a conviver com a pessoa de verdade, com seus defeitos e imperfeições. As qualidade projetadas vão embora algumas, outras ficam. E se o que ficou for suficiente pra manter a paixão, a relação perdura, senão, desanda. Eu já conhecia essa teoria Freudiana, e ela reflete a realidade. E nós nunca somos espertos o suficiente pra manter a projeção, ou fazer uma projeção mais ou menos realista. Eu então, faço projeções tão realistas quanto promessa de candidato a verdeador. E geralmente a projeção não se mantém por muito tempo. O que é uma pena… E geralmente eu não sei perceber quando ela tá acabando.
Mas dessa vez eu prometi pra mim mesmo que não ia exagerar na projeção. Comigo não, violão. Mas mesmo assim, a tal projeção é algo que nos foge do controle. Com oito meses de namoro, não sei se a projeção vai durar muito. E tampouco sei se, quando ela acabar, vai restar alguma coisa. Mas a culpa não é minha. Eu fiz o meu dever de casa: fiz uma projeção modesta, tranquila, pra durar pra sempre. Mas não deu certo. E não deu certo por um motivo muito simples: a minha namorada simplesmente É a projeção. Depois de uns dois meses, eu percebi que eu não sabia mais o limite entre ela de verdade e a projeção. Eu deitava e pensava: “deixa de ser imbecil, ninguém é assim. Pára de esperar que ela seja a mulher mais perfeita do mundo”. E ia dormir resignado. E no dia seguinte ela não só correspondia à minha tresloucada projeção como a superava. E assim se manteve. Por isso não sei se a projeção vai durar muito, ou se vai restar alguma coisa. Porque implesmente nunca teve projeção. Ela sempre fez da projeção realidade.
Apesar da pouc idade e da falta de experiência e “tempo de estrada”, por assim dizer, essa bailarina dengosa soube como poucas pessoas – eu mesmo não sei – corresponder à expetativa criada por mim, e fazer merecer, muito mais do que eu, a projeção feita. E eu só percebi isso, pra ser bem sincero, hoje. Então, pra mim não faz diferença da projeção acabar ou não. Porque aos poucos, a projeção foi se tornando realidade. E hoje, a realidade é exatamente o que eu projetei. Uma mulher atenciosa, carinhosa, que se preocupa comigo; brincalhona, bem humorada, divertida, inteligente e segura; com personalidade, que não faz nada só de onda nem vai pela cabeça das pessoas. Exatamente como eu projetei no exato momento em que me vi apaixonado por aquela bailarina de pés pra fora que me tratava tão bem que dava até pra desconfiar. Demorei pra cair na real exatamente por achar que tinha alguma coisa errada. Quando a esmola é muita, o santo desconfia.
Mas eu caí na real e mergulhei fundo. E não me arrependi. Nem por um segundo. Apesar dos pesares, as vantagens sempre foram muito maiores que os problemas. Tudo bem que nas minhas projeções ela era um pouco mais velha e morava um pouco mais perto, mas desse jeito ficou até melhor, sabiam!? Porque nas minhas projeções ela não era tão risonha, nem tão dengosa, fora os acessórios, que são muito melhores do que o que eu projetava… Nos meus projetos os decotes eram menores, é verdade, e as saias bem maiores, mas isso tem sido negociado ao longo do tempo… Por incrível que pareça é o meu primeiro texto de dia dos namorados. Casa de ferreiro, espeto de pau. Mas dessa vez não podia deixar passar em branco. Por tudo que ela tem feito por mim, ela merece. Mereceria até um blogue só pra ela, mas aí ia perder a graça da surpresa. Evito escrever aqui diretamente pra alguém, mas dessa vez meus milhões de leitores em todo o mundo irão me perdoar. Bailarina, eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir; ter você é meu desejo de viver. Brincadeirinhaaaaaaa!! Sério agora, você me faz muito feliz de verdade. E você é tudo aquilo que eu falei lá em cima, e muito mais que eu não posso falar nesse horário, porque tem crianças lendo o blogue. Você sempre correspndeu às minhas expectativas mais malucas e sem sentido. E cada dia eu tenho mais certeza da escolha que nós fizemos, e nunca me arrependi de nada. Feliz Dia dos Namorados, bailarina. Do seu escritor favorito.

p.s.: depois disso tudo podemos combinar aquele rearranjo no seu guarda-roupas e a abolição dos decotes da sua vida, né?

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