Ontem de dentro de um ônibus aqui na cidade que eu estou, cujo nome será preservado para que os moradores leitores do blogue não se sintam ofendidos, vi uma igreja. Um igreja evangélica (ou evangélhica, conforme a raiz da palavra?). Até aí, nada de anormal. Rato, barata, judeu, flamenguista e Igreja Universal tem em qualquer cidade do mundo. Só que essa tinha algo de diferente. O nome da igreja era “Igreja Pentecostal União de Deus da Primeira Impressão”… Pois é, leitor amigo. Entendeu? Nem eu. Porém, não precisei lançar mão de toda a minha cara de babaca idiota pra perguntar nada. Um sujeito na cadeira da frente perguntou pra moça que tava com ele, que pela convicção deve ser devota de lá. Pois disse a irmã que “mas não percebeu? A Primeira impressão é a que fica! E é isso que nós queremos! Que Jesus fique nas pessoas! Cole e grude nas pessoas!”. Imaginei um Jesus carente de amigos, chato, atrapalhando até as reuniões mais íntimas com a sua eterna mania de grudar nas pessoas.

    Mas quem frequenta alguma religião sabe que de interpretações erradas e direcionadas de má fé o mundo da, me desculpem a repetição, fé, tá cheio. Mas meu medo é que o exagero tome conta, como no exemplo acima, e dias desses eu de dentro de um ônibus veja uma “Igreja Presbiteriana Pentecostal Universal, Mundial e Interplanetária da Festa da Floresta”, e ouça uma fiel explicar que “não entendeu? Festa na floresta,bobeu leva na testa! É isso que nós queremos! Que Jesus bata na testa das pessoas, grude na testa, entre na cabeça, que o mundo todo tenha Jesus na testa, irmão!!”, e passe a achar normal. Mas hoje em Dia as coisas tão realmente piorando. Em um breve histórico das religiões, a gente pode perceber que o exagero sempre esteve presente em quase todas elas. O judaísmo, por exemplo, sempre existiu. Desde antes de Deus, tanto que o próprio Deus é Judeu, e a maior prova disso é que ele não trabalhou na criação no sábado, mandou um estagiário que era Muçulmano, e foi esse estagiário, sem a experiência e a sabedoria do chefe, que criou o a Ópera, o PSDB, o flamengo, e é ele até hoje que bota os filhotes de porco espinho no mundo pessoalmente, porque sexo com aqueles espinhos em cima é complicado.

    Já o Cristianismo tem um início mais complicado. Pra começar, o próprio Jesus era Judeu. E nunca rompeu com o judaísmo. Porém, um sujeito chamado Paulo de Tarso, muito esperto, viu naquele cabeludo reacionário um potencial enorme, e transformou Jesus em uma espécie de Herbalife da época: Jesus curava tudo, era bom pra tudo, era o futuro, com Jesus todo mundo ganhava dinheiro e fica feliz, e a parte mais parecida: se você “vendesse” Jesus pra mais de cem pessoas, você se tornava um “Coordenador Jesus”, ou seja, um apóstolo. Fosse você um soldado danguinário, homossexual, ex-ateu ou até ator de teatro infantil. E assim o Cristianismo cresceu no sistema de pirâmide. Mas aí a concorrência, que já naquele tempo era cruel, tratou de eliminar o Presidente da Companhia – Jesus. E como toda empresa familiar, quando Jesus morreu, o espólio da empresa foi dividido entre os coordenadores – apóstolos, que de apóstolos viraram santos, até Judas e, com medo de perderem espaço pra coordenadores mais jovens, acabaram com isso de promover as pessoas e não houve mais apóstolos. Quando alguém se saía bem, eles esperam morrer e transformava o cara em santo direto, que não era um coordenador. Um santo era uma espécia de acionista minoritário: todo mundo acha ele importante, vai nas reuniões, grita, fala alto, mas não manda em porra nenhuma. E assim é até hoje. Só que hoje os coordenadores são os Cardeais, e como na Herbalife, eles precisam de alguém importante mas que não mande em nada, e pra isso existe o Papa.

     Como vocês puderam por essa breve explanação da minha sabedoria teológica, a religião sempre se pautou pelos modelos de negócio do tipo herbalife: pouca gente ganha dinheiro, muita gente acha que ganha, e quem trabalha nelas acha todas o máximo e enche o saco de gente normal. E antes que os papa-hóstias de plantão se manifestem, eu naõ tenho religião, logo, posso falar mal de qualquer uma. Pra falar a verdade, eu só acredito em Deus em três ocasiões: quando a mega sena acumula, quando a conta do telefone chega e em semi-final de libertadores. Mas não é revolta nem nada, é só uma constatação. E já que são negócios, alguém aí tá disposto a ser sócio da Igreja Presbiteriana Pentecostal Universal, Mundial e Interplanetária da Festa da Floresta? As únicas coisas que não abro mão é de ficar milionário e de bater na testa das pessoas e ainda ser pago pra isso! Tem coisas que o dinheiro não paga, definitivamente…  

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