“O míssil é a arma dos incompetentes

“Desde o Telecatch Montilla, o mundo, estarrecido, não assistia com tanto interesse a cenas tão brutalmente cruéis e violentas com as que interrompem diariamente as novelas das 6, 7, 8, 9:30 e 10. Por trás desta guerra suja de óleo, está o milenar ódio entre animais de várias raças. Poucos são os países como o Brasil, onde porcos judeus, cães árabes, americanos burros, vermes portugueses e negos safados podem conviver pacificamente, cada um no seu canto. Segundo as profecias de Nostradamus, no fim do milênio, um líder de um país abaixo do nível e do Equador entraria numa floresta e lá se depararia com um tigre. E, para enfrentá-lo, teria apenas uma bala, porque o resto da munição teria sido vendida para o Iraque. Nessa misteriosa profecia, o tigre representa uma importante multinacional do petróleo, a floresta representa o verde de nossas matas e o presidente representa um papel ridículo, correndo dos credores internacionais em volta do lado de Brasília com uma melancia pendurada no pescoço. É óbvio, portanto, o significado das palavras de Nostradamus: Rosane Collor precisa fazer um regime urgente e cortar aquela franjinha, ou então o mundo será arrastado para uma era de destruição, violência e falta d´água. Neste momento, nunca é demais lembrar John Lennon. No seu sonho pacifista, Lennon imaginava um mundo de pás, mas nunca pegou numa enxada, e casou com uma picareta. Líderes sanguinários de todo o mundo, interrompam essa matança! Ouçam o apelo dos homens de bom senso: dêem uma chance à paz, para que ela possa, um dia, enfim, ganhar na raspadinha.”

Antes que as bonecas e os desocupados defensores dos direitos homoviadinhos, dos judeus ou dos animais resolvam me processar, continuem lendo. Apesar de atual, inteligente, desbocado e preconceituoso, o texto acima não é meu. Infelizmente. O texto foi retirado de uma edição do “Planeta Diário”. Pra quem não sabe, o Planeta era uma publicação sensacional, capitaneada pelos Cassetas Hubert e Reinaldo, e pelo Cláudio Paiva. Os caras não tinham o menor pudor nem auto-censura. O tablóide foi publicado entre 1984 e 1992. Pra alguém que deve ter sido processado por Deus e o mundo, oito anos não são pouca coisa. Com manchetes como “Candidatos gays dão tudo na reta final”, “candidatos epiléticos se debatem na TV” e “África do Sul proíbe negros de cagar na entrada e na saída”, minha enorme inveja e admiração por eles é compreensiva.

E se fosse hoje em dia? Não se pode mais nem fazer piada de português em paz. Todo mundo age hoje como os judeus agiam nos Estados Unidos nos anos oitenta, cheios de paranóia e achando que o mundo é contra eles. Piada só se for educativa e até blogues que costumavam fazer barulho, como o Kibe – que fazia barulho com a boca dos outros – e o Cocadaboa, agora tão chapa branca. Até entendo, o trabalho deles não deixa eles serem mais como eram antes. Puxar saco do Luciano Huck deve ocupar um tempo miserável na vida da pessoa.

Mas então porque ninguém toma a iniciativa de fazer um novo “Planeta Diário”? Não o mesmo, mas a mesma linha, dando a cara pra bater e sem rabo preso? Sinceramente, não sei. Eu tento fazer isso, mas uma andorinha só não bate até furar. Crônica de jornal, de revista, de site, de blogue, tudo chapa branca e com medinho de falar mal de alguém que amanhã pode te chamar pro clubinho de viado dele. Eu, como não ganho dinheiro com o blogue nem pretendo entrar pra grupinho de nerd que se junta pra ver Star Treck, to cagando pra isso. Nunca vi lugar pra ter tanto viadinho. Parece até grupo de teatro infantil… Só faltam as tornozeleiras de couro e as camisas de manga rasgada. E você, que também não ta nem aí pra isso, junte-se a nós. Pelo menos é divertido…

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