Tem uma frase em inglês cuja origem é meio obscura, que diz “Hate the sin, love the sinner”. Ao pé da letra, odeie o pecado, mas ame o pecador. Temos, homens e mulheres, a estranha e arraigada mania de querer sempre impor nosso jeito de ser e nossos gostos às pessoas, mesmo que inconscientemente. A velha piada machista que diz que as mulheres vivem tentando nos mudar, e quando conseguem, reclamam que não somos mais os caras que elas conheceram, é a mais pura verdade. É comum, alguns meses depois, aquele defeitinho que era um charme, se transformar no pivô de uma separação.

O namorado “atencioso e ciumentinho” que você tinha, vira “aquele babaca controlador e paranóico”. É a velha estória da roupa velha em fotografia. Não importa o contexto, o motivo ou a moda da época, mas sempre que você vê uma foto velha você pensa “meu Deus, como eu pude usar isso??”. A mesma coisa serve pra esses “charminhos”. Então, pra não se tornar o babaca controlador, deixe de ser ciumento hoje. Pra não ser o ex-namorado brigão e encrenqueiro, se torne hoje mais afável e menos irritadiço.

Mulher apaixonada tem disso. O cara pode ser estuprador, ladrão, assassino, fazer faculdade de moda ou ter um pôster com um pôr do sol e um pensamento do Paulo Coelho, que se ela tiver apaixonada, ela releva. E não só releva como acha até “bonitinho”. Até ver jogo na TV elas vêem. Mas claro, há também as variações: há a que não ache isso legal, mas finja que ache pros outros. Essa é bem normal. Mas cuidado, camarada, quando ela tiver começando a enjoar. É um caminho sem volta ou você muda ou vira o babaca do segundo parágrafo. E o pior é que ela vai começar a ver que os outros caras não são assim babacas e paranóicos. Nem ciumentos nem nada.

Então, amigão, é doloroso, mas a sua barba é ridícula, sua sandália de couro é horrorosa, seus ataques de ciúmes são absurdos, sua mania de perguntar tudo é irritante e ouvir o Padre Marcelo todo dia oito da manhã é chato pra caralho. Não importa o que ela diga. Mude enquanto é tempo. Mas não mude tanto a ponto de ouvir que você não é mais o cara que ela conheceu. Como? Sei lá, porra. Se eu soubesse fazia isso tudo eu mesmo…

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