Não sei se alguém aí já sentiu isso. Nem sei se alguém vai entender. Também, to nem aí se vão entender. Eu queria escrever sobre isso, mas pela primeira vez em vinte e oito anos, não sei como. Sei o que quero dizer, mas não sei como. Só me vem uma frase na cabeça: eu nasci pra ficar sozinho. A longo prazo, claro. Alguém aí quer ser solidário a minha dor e me dizer se já sentiu isso?

     Não digo isso por nenhuma desilusão, pé na bunda, chifre ou tempo de vacas magras. Nada disso. Tenho quase cinco meses de namoro. Minha namorada é uma pessoa fantástica, daquelas que a gente só vê com os outros, mas que nunca cai na nossa rede. Mas ela caiu. Então, uma namorada ótima. Mas as vezes eu sinto e faço algumas coisas, que não consigo parar de pensar que não haveria pessoa no mundo que concordasse com uma idiotice dessas. Será que só eu sinto ciúmes de idiotas rondando a minha namorada que nem mosca em poça de Coca-Cola? Será que só eu fico chateado quando ligo morrendo de saudade e ela ta fazendo ou vai fazer alguma coisa e não vai poder me dar atenção? Será que sou o único babaca no mundo que fica puto da porra da vida quando ela trata bem imbecis que trataram – e ainda tratam – ela com desprezo?? Puta que pariu, será que é só comigo?

     Aí fica aquela sensação de “até quando ela vai aturar isso?”. Eu tento, juro que tento. Mas não dá. Seria mudar no âmago coisas que sempre pensei e acreditei. E anos e anos de convicção não vão embora assim, vapt vupt. Não mesmo. Muito menos consigo explicar meus pontos de vista malucos pras pessoas. E tome fama de brigão, encrenqueiro, ciumento, idiota etc etc etc. E ela e as pessoas me olham como quem diz “oolha, gente. Ele é assim mas ele é legal. A gente tem que aceitar ele como ele é”, como se eu fosse um leproso querendo dormir de conchinha com o mundo inteiro.

     É foda. Bota foda nisso. Aí não consigo parar de pensar que, independente de errado ou certo, sou o único cretino que pensa assim, logo, devia mesmo é ficar sozinho. Na boa, sem demagogia nem charminho. É foda esse sentimento de “qual vai ser a próxima merda que eu vou fazer?”. Aliás, alguém mais, quando a namorada sai e somos obrigados a ficar em casa, fica morrendo de vontade de pegar um taco de baseball, sair pra rua e quebrar tudo? Ou de pegar a porra do monitor e arrebentar ele na televisão, não sem antes chutar o notebook? Alguém?

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