Há exatos dez minutos cheguei à uma conclusão, no mínimo, dolorosa. Certas constatações nos atingem como um peteleco no saco. além de dor muito, fica doendo por horas… Em uma lan house, no meio do carnaval, pra ver emails e manter o vício dentro dos limites aceitáveis. E aqui, em meio à muito créu, muita ivete e muito engarrafemento, descobri que sou um pária, um eremita, praticamente um Robson Cruzoé de Niterói. só tenho 304 amigos no orkut. Entre figuras como Satan Goss, Costinha, Jesus Cristo, Seu Madruga, Chuck Norris ou o Batman, devo conhecer pessoalmente quase todos os outros, uns duzentos e cinquenta. No programa de mensagens intantâneas, devo ter umas cento e cinquenta pessoas, das quais conheço a totalidade pessoalmente, menos pelas pessoas que adicionei por motivo de trabalho ou aqui pelo blogue.

     Entretanto, fiz uma pesquisa entre meus “amigos” do orkut, e constatei que, dentre todos eles, eu sou o que tem menos amigos por lá. Todos têm mais de quinhentos, seiscentos amigos. Isso sem falar que uma grande parte tem entre oitocentos e mil, e uns dez por cento tem mais de mil, ou seja, dois perfis! Me senti o próprio Bill Gates passeando por Cuba. Com menos amigos do que crítico de teatro, mais sozinho e triste do que mulher que tem fetiche por mãos e casa com proctologista, enfim, mais chato que itinerário de elevador. Ah, a internet. Quando eu era adolescente não devia conhecer mais de cem, duzentas pessoas, tirando familiares, professores etc. Hoje em dia qualquer moleque de dezesseis anos tem três perfis no orkut, num total de três mil – TRÊS MIL!! – amigos e umas seiscentas pessoas no msn. Eu me achava popular porque recebia umas vinte, trinta ligações no meu aniversário. Sem contar familiares. Hoje um moleque desses recebe no mínimo umas cem mesagens de parabéns no orkut. E ainda acham pouco.

    Mas desses mil, dois mil amigos, quantos será que eles conhecem pessoalmente? Quantos ele podem chamar pra um chope quando precisarem afogar as mágoas? Com quantos eles podem contar quando estiverem tristes, desempregados ou quanto tomarem um belo pé na bunda? Em quantas das pequenas que eles têm no orkut eles já deram uns bons amassos, umas boas bolinadas ou com quantas delas ele já gastou o latim tentando descolar um beijinho “só pra dormir feliz?”. Aposto que a resposta pra essas perguntas deve ser algum número beeeeeeem menor do que os trilhões de amigos adicionados. Mas será que pra essa geração é mais importante ter milhares de melhores amigos que você não conhece nem nunca chamou a mãe deles de tia, do que ter poucos amigos de verdade que chegam na sua casa, mijam de porta aberta e abrem a tampa das panelas pra ver o que tem pra filar hoje? Parece que sim…

     Pra minha geração não era. E continua não sendo. Tenho uma grande resistência em ter “amigos” que não conheço pessoalmente nem tenho pretensão de conhecer. Nunca quis ter um milhão de amigos, e bem mais forte poder cantar. Prefiro meus poucos amigos e nem tão pouco conhecidos do que centenas de estranhos que só porque vêem minhas fotos no orkut e me mandam parabéns nessa data querida, se acham meus melhores amigos. Prefiro minha meia dúzia de mensagens de amigos de verdade do que centenas de parabéns de miguxos que sequer sabem nosso time de futebol. Quando falo isso, sou tachado de anti-social, metido, arrogante etc etc etc. Apesar de puxar meu saco com esses adjetivos, isso não mexe com a minha opinião. Melhor um amigo que te chame de viado, sumido e filho da puta do que milhares de amigos que milhares de miguxos que nunca trocaram figurinha comigo, não roubam meus livros e meus CD´s nem tem a pachorra de falar mal de mim no meu próprio blogue, porque acham que eu ia ficar “trixti e cholandu”. Amigo mesmo xinga, fala mal e depois te chamam prum chope. E tenho dito. 

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