Ter saudades de coisas que nem conheci é corriqueiro pra mim. Mas disso que eu vou falar acho que não sou o único a ter saudades. Como cronista, escritor e leitor chato então, sinto mais falta ainda. Sempre digo que gostaria de ter nascido em outra época, algumas décadas atrás. E esse é um dos motivos mais fortes. Sinto inveja dos sortudos que, naquela época atrás, ao abrir o jornal pela manhã podiam ler, corriqueiramente, crônicas de Nelson Rodrigues, Stanislaw Ponte Preta, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, entre outras cobras da crônica brasileira. Hoje, abro os jornais e quase choro. Salvam-se exatamente os rabiscadores das antigas, como o Dapieve, o Xexéo, o Joaquim Ferreira dos Santos, o Arnaldo Bloch, o Verissimo, e agora de volta, o Armando Nogueira, o Luiz Garcia etc. Nova safra? Boa piada. Todos esses aí já eram feras muito antes de eu nascer. Longe de mim alguém achar que to reclamando, leio todos esses assiduamente. Mas por que não há novos cronistas na imprensa brasileira? Por que o JB que já foi QG da inteligentzia brasileira hoje ocupa as já muito bem escritas colunas de sua revista de domingo à trinca “fofoca-celebridades-fofocas de pseudo celebridades”? Por que essa nobre arte da crônica, já representada por gente do porte de Drummond, Vinicius e Nelson Rodrigues, não se renova. Por que não há gente boa? Em parte, sim.    Muitos dos novos escritores se preocupam muito mais sem ser diferente do que propriamente em escrever. Em falar coisas polêmicas, ao invés de falar coisas que querem falar, como os mestres já citados. Deles, alguns faziam polêmica. Mas não polêmica vazia, não polêmica só pela polêmica. Faziam porque tinha que ser feito, e não se furtavam a ter que fazê-la. É aí que entra a frase dos título desse texto. Se todos os futuros cronistas brasileiros tivessem um blogue, antes de escrever em imprensa, as coisas seriam bem diferentes. Em um blogue seu contato com os leitores é direto. Eles falam o que pensam e ponto. Eles não têm medo de magoar ou de te desanimar. Eles falam na sua cara. E sem interesse nenhum. Eu mesmo, tanto aqui quanto na revista online da qual sou colunista, a Papo de Homem, já fui chamado de bicha, de corno, de mal amado, mal comido, encrenqueiro e por aí vai, em virtude das minhas opiniões nem sempre brandas e embutidas de ironia e muito (mau) humor. Essas a gente não leva em consideração, claro. Mas as críticas quanto ao estilo ou aos textos diretamente, eu não só levei em consideração, como me ajudaram bastante a esculpir meu estilo, e chegar nesse nível de perfeição que atingi hoje. Claro que eu nunca vou admitir isso em público.

Em um blogue, ao mesmo tempo que você não é pautado e escreve sobre o que lhe der da telha, você tem um retorno direto, imediato e pessoal sobre o que escreve. E como eu já falei, eles não perdoam. Quem escreve em blogue sabe disso. E por isso, se hoje vivemos uma era perdida da nova geração de cronistas, daqui há alguns anos aparecerá uma nova safra de cronistas, os que já botaram a cara em blogues e sites antes de escrever pra mais pessoas ou em um veículo tradicional. Uma geração que já sabe, dentro do seu estilo, o que funciona e o que não funciona. Uma geração que já está acostumada a ver a reação das pessoas diante do que é escrito. Enfim, uma geração que aprendeu fazendo o que os cobras lá de cima já nasceram sabendo: escrever o que o povo quer ler. Não se trata de agradar a todos, mas de, independente de agradar ou não, ter sua competência reconhecida até pelos que não compartilham as opiniões com você. Já recebi vários comentários desse tipo: reclamando da minha opinião, que eu sou preconceituoso ou mau humorado, mas no final falam “mas o texto estava muito bem escrito”. Elogio de amigo e de namorada é fácil, difícil é receber reconhecimento de quem não concorda com você.

Tem muita gente bacana na internet que honraria com louvores o lugar já ocupado pelas melhores penas que a língua portuguesa já viu. E não é condição sine qua nom o sujeito fazer faculdade de jornalismo pra escrever uma crônica ou assinar uma coluna. Faculdade não ensina essas coisas. É claro, falta também que a imprensa de um modo geral abra espaço pra essa nova geração que já sabe o que o povo gosta, e como o povo gosta. Seja em jornais, seja em grandes portais, essa galera nova promete. E sem falsa modéstia eu me enquadro aí. Depois de tanta gente me achincalhando nos comentários, se eu não aprendesse nada com isso era mais fácil desistir e ir fazer uma pós em Gestão de Alguma Coisa Qualquer. E pra quem achar que é mentira, vou dexar aqui embaixo alguns comentários que já recebi. Vou deixar uns elogiosos e outro metendo o pau na minha esguia pessoa. E dêem suas opiniões, concordem ou não, falem mal de mim ou não, puxem meu saco ou não. Mas tenham certeza de que quanto eu estiver no Jô, vou mandar um beijo no coração pra todos vocês!

Author : Lourenço

Comment: Masturbação mental.

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Author : Elisandra

Comment: Então, legalzinho seu texto. Mas e aí tu é bicha né. rsrsrs E não entende muito de mulher.

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Author : Sebastian

Comment: É…se ele queria polêmica com um texto taxativo e rotulador em que so existem 2 tipos de mulheres conseguiu hehe.Eu que não vou levar a sério isso.

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Author : Maldito
Comment: Enfim… do caralho o texto… hauhuauha

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Author : Gustavo Gitti

Comment: Pure crap. But let it be. 🙂

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Author : Mary Jane

Comment: Sem dúvida este foi o texto mais incongruente que já li por aqui.

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Author : abraao

Comment: pow fala serio… so pra dizer q ja postou algo aqui?? sendo assim vou escrever sobre as rugas q meu saco têm preciso de algo mais

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Cara descobri seu blog pelo ibest e li vários artigos inclusive o artigo de Natal (esqueci o título). Enfim eu nunca deixo comentários mas como vc falou que é um puta incentivo e eu quero ler mtos outros artigos, gostei mto do seu blog e adicionei nos meus favoritos aqui no pc do meu trabalho para eu sempre acessar. Parabéns pelo blog, mto legal mesmo.
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       Belissimo texto… Não vou imitar o TG e falar que quero escrever como você quando crescer =P
Percebo que os textos mais atuais não são como as massagens de ego dos textos anteriores. Ainda tem um pouco, mas não é tão aparente quanto era antigamente… Fico por aqui. Abraços

 

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aneiro 15, 2008 às 6:11 pm

Felícia Feliz

Hhahahahaaa, adoro a forma como vc escreve, tem humor em cada linha, mas sem fugir do tema, muito legal mesmo!

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 Parabens pelo texto, ficou otimo. Bem enxuto. Dah pra ver de longe pelo estilo de escrita quando o camarada foi ou eh redator publicitario.
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     As metáforas estão perfeitas. Não me veio nada melhor em mente. Mais um texto de altíssimo nível. Parabéns.
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 Juro que é a última vez que falo isso(pra não insuflar ainda mais seu ego grande…rs): PQP! Quando crescer quero escrever igual a você!
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 Sabe que foi o melhor texto de fim de ano? Sincero, comovente, sem ser piegas. Apaixonante, sem ser meloso. Pra cima.
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    Sempre li mas acho que nunca comentei aqui.. hoje tomei coragem e resolvi dizer: seus textos são tudo de bom!

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 Bom, tu já tinha me ganhado como leitora no “Adote um careta”, e em cada texto que leio fico mais fã. Quando publicar, e veja que eu disse QUANDO, não esquece de avisar pra gente poder comprar! Beijos, feliz natal e um ano novo cheio da grana e felicidades pra ti!
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 Bom, tu já tinha me ganhado como leitora no “Adote um careta”, e em cada texto que leio fico mais fã. Quando publicar, e veja que eu disse QUANDO, não esquece de avisar pra gente poder comprar! Beijos, feliz natal e um ano novo cheio da grana e felicidades pra ti!
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 Não preciso comentar… coloquei um trecho no perfil do meu orkut!!!! Sabe o q isso significa????? Q o texto é f***!!!!!
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 HAUHUAhuHAuHAUhUAHuHAuAUH. kralho mlk… texto genial xD

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