Depois do texto do Lufe, voltamos à programação normal. Antes que vocês gostem mais dele do que de mim… =(. Então, pegando carona no tema do vestibular da namorada, dia desses. Depois de botar a música do Vinícius, o tema era responder, em entre 15 e 20 linhas, a seguinte pergunta: é possível ser feliz sozinho? Como em vinte linhas eu não consigo falar nem meu nome, o meu texto vai ficar um cadim maior… Lá vai.

Não. Pronto. Menos que 20 linhas. Não é possível ser feliz sozinho. Tem o que discutir? Tem escapatória? Tem quem pense o contrário? Como sempre tem, lá vamos nós gastar mais umas dúzias de linhas… A princípio – não romanticamente falando – é impossível mesmo. O que quer que você faça, em que quer que trabalhe, não dá pra ser feliz sozinho. Você depende de alguém pra comprar o que você vende, pra usar o serviço que você presta, ou simplesmente fazer pingar a graninha dos anúncios no blog no fim do mês. Ok, se você for um guardião de Farol pra navio em ilha deserta ou um astronauta em plena órbita da terra, pare de ler este blogue agora. Isso tudo supondo que tudo o que alguém bem do contra precisaria pra viver é a grana proveniente do trabalho. Ainda assim, sempre precisaremos de alguém pra nos encher o bolso de verdinhas, e assim, nos trazer felicidade. Ponto pra mim.
Agora no sentido mais amplo, falando de amigos, colegas, chefes, empregados, porteiros, ascensoristas, a moça da locadora que finge que nem viu que você entrou na área cercadinha dos filmes adultos, enfim, falando agora de toda e qualquer pessoa com quem você tenha algum contato, e que possa, de alguma maneira, interferir na sua felicidade. E não subestime o poder da mocinha da locadora. Ainda que o do contra em questão seja um sujeito de poucos amigos, deve ter um ou dois. E ainda que diga que não precisa deles pra ser feliz, precisa de que então? Da anuência silenciosa da mocinha supracitada? Do respeito dos subalternos ou de ser valorizado pelo chefe? Precisa que leiam os anúncios que você faz sozinho à meia noite imerso em leite de colônia ouvindo Cauby Peixoto? Precisa de que gostem das suas músicas, dos seus quadros, da sua dança, do que você canta – todas essas, atividades que podem ser feitas “sozinhas e pra nós mesmos”?
Não teme essa de escrever pra si mesmo, ou pintar pra ninguém ver. Quem produz alguma coisa quer que as pessoas vejam, leiam, peguem, mordam, enfim, cada um sabe do que gosta. E se você precisa que alguém interaja com o que você faz sozinho, voilá, você precisa de alguém pra ser feliz. Ponto pra mim de novo.
E agora, parando de fingir que não entendi a pergunta lá de cima: romanticamente é possível ser feliz sozinho? Também acho que não. Mas não falo de almas gêmeas, gente que nasceu uma pra outra, amor proibido entre primos ou o destino, que fez com que a gostosa do 505 também gostasse de Agnaldo Rayol, também fosse emo-indie-hippie-neo-punk-gótica-micareteira, e também fizesse aula de zouk na mesma academia que você. Eu falo no sentido mais simples, mais terreno e menos predestinado. Até os solteiros convictos precisam de alguém. Alguéns, nesse caso. Mas precisam. Até as prostitutas, os webdesigners e os revendedores de Herba Life. Preto, branco, hétero, homo, judeu, católico, ateu, surdo, mudo, cego, maluco, enfim, até mesmo apesentador do horário da marugada do “Canal do Boi”. Todo mundo precisa de alguém pra ser feliz. Alguém pra sempre, muitos alguéns só por uma noite, alguém que era pra ser pra sempre ontem e hoje não é mais. Mas sempre precisamos de alguém. De um jeito ou de outro, com menos ou mais intesidade, pra sempre ou por uma noite, pra dar uma rapidinha ou pra ganhar um cafuné. Todo mundo, no fim das contas, precisa de alguém pra ser feliz. Três a zero o papai aqui. Papo findo, tenho dito. Em caso de gostosas solteiras por opção, cartas com foto pra o blogue, por favor. Só pra eu conhecer pessoalmente meus leitores, claro. Eu sou um sujeito comprometido, apaixonado e que precisa – e muito – de um certo alguém pra ser feliz. Tá certo que esse certo alguém nesse momento tá no banho há cinquenta minutos, e vai demorar mais uma hora e meia pra se arrumar, maquiar, escolher a sandália que combina melhor com o chiclete e pentear o cabelo. Mas preciso. Ah, e quanto às fotos, de biquíni, por favor. É que nada pra falar mais sobre o caráter de uma mulher do que a estampa do biquíni, claro. Sem maldade, até porque ela já tá saindo do banho. Bom, respondida a pergunta, é hora de dizer boa noite Rio, tchau Brasil!

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