Não é frase pra catar leitor paraquedista, nem pra impactar ninguém. É um grito, um desabafo. Excetuando-se alguns dinossauros que quando em vez ainda produzem alguma coisa, e uns poucos caras novos que seguem os passos desses Tiranossauros Rex, a publicidade brasileira ta uma merda. Descobriu-se a internet, e agora tudo é internet. Todo mundo acha que a internet é a salvação do mundo. E acham que popups explodindo na nossa cara e ações pseudo-inovadores e vídeos idiotas feitos pelos usuários sem o menos motivo pra isso, só pra usar “Consumer Generated Content”, são a solução pros seus problemas. Grande merda.

            Ta cheio de gente por aí “fazendo internet”. Só que esse fazer internet não é assim. O sujeito tem que, antes de fazer internet, ter feito propaganda de verdade. O público é o mesmo. Quem entra na internet também lê revista, jornal e vê TV. Só a forma de abordagem tem que ser outra. É muito fácil fazer uma promoção, “divulgar” em blogs, em sites de fotos e vídeos e depois ficar reclamando que internet não funciona. E isso virou moda. Cadê os anúncios com títulos foda e textos que eu recortava e colava do lado do meu computador pra ficar olhando todo dia? Cadê os jingles inesquecíveis que a gente ia pra escola cantarolando quando era moleque? Cadê os comerciais sem pirotecnia e sem orçamento de filme de Hollywood que faziam a gente rir, chorar ou falar “filho da puta, eu queria ter pensado nisso antes dele!”? Cadê? Cadê?

            Eu sou entusiasta dos textos. Dá pra perceber, né!? Anúncio, comercial, jingle… um texto do caralho me dá mais tesão do que a Cláudia Leite suada pulando na minha frente. Mas cadê isso tudo? Hoje em dia agência quer contratar nerds que conheçam internet. Ou blogueiros. Eu queria trabalhar com isso, internet em agência, mas sem exageros. Eu gosto de internet mas SEI escrever e saberia fazer um anúncio que não fosse um banner voador saltitante. Não se pede mais estagiário que pense, que escreva. Hoje em dia se pede estagiário que “saiba internet”. Os Leões do Olivetto, Bernbach e cia devem estar de revirando nas estantes. E nós, que gostávamos do jeito brasileiro de fazer propaganda antes dessa moda de fazer “um negócio aí com internet”, ficamos órfãos. Órfãos e sem empregos, perdendo vaga pra nerd de 18 anos que conhece um milhão de blogs e tem cinco milhões no Orkut.

            Enfim. Tenho saudade dos primeiros sutiãs, dos não esqueça minha Calói, dos comerciais sensacionais da Folha de São Paulo, da W dos anos 80/90, da DPZ do mesmo período. E fico sonhando em ver essa época voltar. E que um dia alguém volte a exigir de um redator que ele saiba escrever. Quem me dera bater à porta do Olivetto nos anos 80 com uns textos debaixo do braço pra pedir emprego e ouvir “rapaz, você escreve muito! Tô precisando de um redator! Começa amanhã”… Quem me dera…

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