Puxa uma cadeira aí que a conversa vai se alongar. Pois então, é Natal, época de pensar na vida, adiantar as aporrinhações de Ano Novo e resolver a vida pro ano que entra. E por que o título aí em cima? “Não-blogueiro”? Pois é, não-blogueiro. Calma. Não era título pra causar polêmica, nem nada disso. É sério. Hoje em dia é moda falar que é blogueiro, falar de blogosfera coisa e tal. Eu tenho um blog e não sou blogueiro tanto quanto tenho um telefone e não sou telefonista. Explico melhor. Eu não sou blogueiro, sou escritor. Independente da qualidade da minha escrita, sou escritor. E não blogueiro. Nunca acordei de manhã e pensei “porra, vou fazer um blogue!”. Eu simplesmente sempre escrevi, e como eu sou megalomaníaco, acho tudo que eu faço genial, queria que alguém também me achasse genial! E como não consegui uma coluna na Veja (argh!) nem consegui publicar um livro, fiz um blogue. Simples assim. É um blogue, mas podia ser uma coluna na Revista do Sindicato dos Auxiliares de Vendedores de Fim de Ano ou um livro. (Se eu tiver algum leitor que seja editor, pode me propor escrever um livro, prometo não matar o blogue se isso acontecer…).

            Mas por que falei disso? Só pra explicar que não me acho blogueiro? Não. Isso eu já tinha falado mil vezes. To nem aí pra blogosfera e pra ser “blogueiro profissional”. Conheço alguns blogueiros profissionais influentes na tal blogosfera, mas to cagando pra ela. Eu sou escritor, e escritor escreve. Em revista, jornal, blogue, site, guardanapo, calendário, folhinha, onde quer que seja. Papo findo, tenho dito. Mas eu não disse que o texto ia ser grande? Então, senta que lá vem história. Bom, eu tenho 27 anos. Não escrevo profissionalmente, e não tenho nem um anunciozinho de “compare preços de lubrificantes à base de água no muquirana.net”. Ou seja: não vivo disso. Faço por prazer. E um pouco de ego, admito. Ta, ta, ego pra caralho! Que seja, não vivo de escrever. Mas o ponto aqui é: eu tenho 27 anos e ganho uma mixaria trabalhando como redator/marketing/faz-tudo.

Então por que eu ainda insisto nessa merda? Eu podia fazer um concurso qualquer da vida e ganhar três mil a vida inteira. E voilá!, a tão-sonhada estabilidade. Por que eu sou burro? Por que não passaria num concurso? Não. Passaria sim. Modéstia a parte. Mas não quero. Quero insistir em escrever. Já escrevo há anos, já mandei textos pra Deus e o mundo e nada. Mas eu ainda insisto. Por que? Simples: porque quando eu tiver velho, seja recebendo um Oscar de melhor roteiro seja aposentado do Banco do Brasil, eu vou olhar pra trás e vou saber que, se eu cheguei ali ou não, não foi por falta de tentativa. Se cheguei, não teria chegado se tivesse desistido. Se não cheguei, iria viver pra sempre com aquele gosto de “podia ter sido” na boca. Como dizem por aí, é melhor morrer de pé do que viver de joelhos. Nesse caso, é melhor passar fome correndo atrás do que você ama de verdade, do que botar seu boi na sombra e olhando com inveja quem está na situação que você gostaria de estar.

A não ser, é claro, quando você não leva o menor jeito pra coisa. Mas não to falando disso. Se você confia no seu talento, se as pessoas confiam no seu talento, quebre a cara. Mesmo que essas pessoas sejam a meia dúzia de leitores do seu blogue ou seu namorado babão que te acha a melhor bailarina do mundo, mesmo não sabendo a diferença entre uma sapatilha de ponta e uma meia-ponta. Mesmo que achem idiotice você correr atrás do que você gosta, mesmo que seja difícil, demorado e complicado. Mesmo que seja só pra depois ter o orgulho idiota de bater no peito de dizer que tentou.

E quando você e seus amigos aposentados estiverem em uma mesa de bar conversando – um advogado, um funcionário de banco, um dono de loja e um corretor de imóveis – cheios da grana e com carros novos a casas de praia. Quando você estiver com esses amigos, duro, com um Chevette 92 e passando fim de semana em Iguaba, você vai poder dizer que, apesar disso tudo, todo dia quando você vai dormir, ao invés de amaldiçoar o dia de trabalho que passou, você não vê a hora de chegar o dia seguinte. Porque apesar de tudo, você faz o que gosta. E é feliz. E faz sua mulher feliz, por que ao invés de um sujeito frustrado e mecanizado, ela tem um marido feliz que ama o que faz. E seus filhos terão orgulho de ter um pai que faz diferença, que vai incentivar eles a correr atrás do que gosta, seja o que for. E não obrigá-los a fazer uma faculdade qualquer, pra ser mais um empregado público infeliz com um diploma debaixo do braço. Se for pra perder, saia do ringue direto pro hospital. Não se entregue! Apesar de grana ser, infelizmente, um fator importantíssimo, acreditem, os elogios que eu recebo aqui de meia dúzia de gatos pingados vale muito mais do que dinheiro. Bom, a não ser que me dêem uma cadeira massageadora e paguem o Magal pra cantar no meu casamento. É… Tem certas coisas que o dinheiro definitivamente não compra…        

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