Definitivamente, essa modernidade é esdrúxula, parafraseando meu colega de blogue. A sociedade chegou a tal ponto, que hoje não fazer coisas tipo beber, fumar ou usar drogas, é completamente out. E, como se isso não bastasse, as pessoas olham diferente pra um sujeito assim. Afinal, um sujeito que não bebe, não fuma e não usa nenhum tipo de drogas deve ter algum problema! E se você for, como eu, adepto de formas mais “ortodoxas” de sexo então, você definitivamente tem algum problema.
– Vai um tapinha? – me pergunta bob, nome fictício, claro.
– Não, não, valeu.
– Ah tá, parou, né?!
– Não, eu não fumo.
– Pais opressores? É, os meus também eram assim…
– Não, eu não fumo. Nunca fumei.
– Porra, você deve beber demais então!??!
– Não, eu também não bebo… – respondo, já envergonhado de minha abstinência…
– Qual o seu problema?
– Eu, problema? Acho que nenhum, por que?
– Nada, nada… É que… será que você podia nos dar licença? Não é preconceito não, longe de mim!, mas é que.. Ah!!Você me entende, né?! A gente não vai ficar muito a vontade com alguém assim por perto…
E por aí vai. Você passa a ser um alienígena. Aliás, tem gente que acredita em alienígena… E com relação a sexo a coisa piora. “Como? Você não iria pra cama com sua prima, o namorado dela e quatro anões vestidos de Praga do Xou da Xuxa??”. Acreditem, tem quem não curta. Sexo pra mim são duas pessoas, e no meu caso, uma outra pessoa feminina. E só. Nunca tive pensamentos sodomitas com homens, crianças, animais, eletrodomésticos, hortifrutigranjeiros ou marinheiros suecos. Nem uma vez sequer. E não vejo nenhum problema nisso. Nem em quem gosta, claro, cada um com seu cada um, já diz o samba popular. Mas, como se dizia na época que 69 era só uma posição, e não o número de pessoas envolvidas na transa: comigo não, violão! Daqui a pouco vão criar um grupo de ajuda, algo como Caretas anônimos.
– Bom, vamos começar a reunião de hoje. Primeiro, pra desinibir, digam seus nomes e contem o que os trouxe aqui ao C.A.
– Ééé, meu nome é Roberto, só bebo nos fins de semana, só fumei maconha três vezes e nunca fui a uma suruba… Mas eu quero largar essa vida careta! – diz, cabisbaixo, o primeiro ao lado da conciliadora.
– Pode deixar, vamos ajudá-lo Próximo.
– Eu sou o André. Parei de cheirar faz um ano, e não posso fumar por que só tenho vinte e cinco por cento da capacidade pulmonar… Mas eu quero voltar! Essa caretice ta acabando comigo! Minha família ta ameaçando me deixar…
– Calma, vai dar tudo certo. E você, de cabeça baixa? – Fala ela, apontando pra mim.
– Bem, eu, er, eu sou o Leonardo. Não bebo, não fumo, não uso drogas, não sou bicha e nunca tive uma ereção pensando na minha namorada na cama com a Simone, o Michael Jackson e o vampeta vestido de tirolesa…
– Como?? NUNCA fumou? Nem um ménage a trois sequer???
– Bem, não. Nunca.
– Escuta aqui, rapazinho, isso aqui é um trabalho sério! Tentamos ajudar pessoas caretas, mas ninguém aqui faz milagre… Pelo amor de Deus, é cada maluco que me aparece.
Já me aconselharam até a procurar ajuda profissional pra me “libertar dos meus preconceitos”. Já sei! Vou fundar uma ONG! Vamos fazer bandeira e camisas com escritos como “maconha: nem ligo!”, “cerveja: tô nem aí!”, Suruba é o caralho!”e “tira essa mão da minha bunda!”. É só esperar, que quando restarem muitos poucos, alguém pede uma verba ao Governo pra nos proteger. É questão de tempo. Questão de tempo.

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