Namorado safado? Chato? Metido? Feio? Nada romântico ou meloso demais? Você acha isso um problema? Você definitivamente não conhece o real significado da palavra “problema”. Se você reclama do seu namorado por tudo isso acima, experimenta ter um namorado com TDHA, ou, pros íntimos DDA. TDHA, ou DDA, é a sigla pra Síndrome do Défict de Atenção e Hiperatividade, ou Distúrbio do Défict de Atenção. Grosso modo, é quando seu filho hiperativo cresce e, ao invés de melhorar, piora. Nem todo DDA tem hiperatividade, mas geralmente tem.

Como o próprio nome diz, é um distúrbio que prejudica – e muito – a capacidade de concentração de uma pessoa. Outros sintomas bem comuns são fraca supervisão, pequeno âmbito de atenção, distração, desorganização, hiperatividade (apesar de que só metade das pessoas com DDA sejam hiperativas), problemas de controle de impulso, dificuldade de aprender com erros passados, falta de previsão e adiamento. Tá bom ou fritas acompanha? Acredite em mim, palavra de hiperativo que já teve quatro namoradas: ter um namorado DDA é como ter um labrador que toma RedBull e cheira cocaína. É como tentar controlar um macaco em uma loja de cristais.

Infelizmente, muita gente desiste. Se já não é fácil pra nós conviver com isso, imagina pras pessoas de fora. Não é nada fácil ter um namorado que demora um ano pra gravar a data do seu aniversário, vive trocando seu nome, te liga e quando você atende fala “putz, não lembro porque te liguei”, que volta e meia é estupidamente grosso e impulsivo, não para quieto um segundo, raramente presta atenção em alguma coisa por mais de um minuto e repete, idiotamente, sempre os mesmos erros imbecis e não aprende nunca. E quem acha que é exagero, comigo por exemplo, cada exemplo desse aí de cima acontece pelo menos umas três vezes por semana, sendo que no meu caso a memória ruim e a falta de atenção alcançam níveis alarmantes.

Minhas namoradas sofreram. Minha atual então, coitada, ta me pegando na pior fase do DDA: aquela que você desiste de tentar controlar o distúrbio sozinho e procura um médico, e fica se achando um imbecil, fraco, burro e viadinho, que precisa de médico pra deixar de ser idiota. Eu sei que não é assim, mas quase todo DDA se sente assim. Tudo bem que quase todo DDA tem um QI acima da média e se sobressai em atividades artísticas ou intelectuais abstratas, mas de que adianta ter um namorado que escreve pra cacete mas não lembra de coisas que aconteceram com você há uma semana atrás? Pra que serve um namorado que sabe tudo, lê tudo e fala de tudo, se quando acabar a conversa ele não vai se lembrar de uma palavra que você falou? É realmente complicado.

Namorar um DDA requer muito amor, dedicação e, acima de tudo, paciência. Via de regra as vantagens não compensam os defeitos, e as pessoas os abandonam. E eles, nós, ficam, ficamos, se achando os últimos seres humanos da galáxia. Mas se você conseguir, pode ter certeza que vai ter um namorado, antes de tudo, muito agradecido pela sua paciência de dedicação. Pode parecer, e parece mesmo, mas não fazemos de propósito. Pelo contrário, muitos de nós adquirem tiques e outras manias na tentativa vã de tentar controlar esse monstro interior. Meu conselho é o seguinte: não trate seu namorado nem como um gênio nem como um retardado. O ajude de vez em quando e entenda os pequenos deslizes dele, mas não deixe de se mostrar bem aborrecida e ralhar com ele quando ele tentar se aproveitar disso pra relaxar ou tirar alguma vantagem. É complicado, difícil e penoso, mas você vai ter um namorado agradecido, inteligente, criativo e com quem, provavelmente, seu relacionamento nunca vai cair na rotina.