Falar que mulher se veste pras outras mulheres já é lugar comum. Quase uma unanimidade. Porém, pra rimar, vou além. Mulher se veste, se maquia, emagrece, faz escova, entre outras coisas pras outras mulheres. Claro, e pros amigos veados delas. Não dá pra entender o que leva uma mulher de cabelos encaracolados lindos a ignorar a opinião do companheiro e todos os outros homens da galáxia, e fazer uma escova vietnamita que dura noventa anos e não desfaz nem com furacão em Miami. Na boa, cá entre nós, alguém olha uma mulher com aquele cabelo liso, que parece até o Chewbacca depois de um mergulho na praia, e fala “porra, queísso! Que tesão, que sexy, quero ela agora!”? Provavelmente não. O único instinto que uma chatice dessa desperta em mim é o instinto básico de espírito de porco de ir lá e amafrunhar
aquele cabelinho certinho todo!
Nem falo de gosto, tem quem goste de cabelo liso, enrolado, crespo, duro, mole, normal. Mas de onde se tirou a idéia de que TODO O MUNDO gosta de cabelos lisos? Seu namorado te acha linda de cabelos encaracolados. Sua mão também. A maioria dos homens também. Mas a sua amiga fez uma escova tão foda que agora o cabelo dela só penteia com esmeril e um ancinho, você vai lá e faz, pra depois ela dizer “nooossa!! Onde você fez essa progressiva? Isso deve durar mais que
ereção de piloto de testes de Viagra!”, aí você se conforta, feliz e sorridente, solenemente cagando pra opinião do seu namorado ou os utros homens do planeta.
Isso sem falar na sua namorada gostosíssima que insiste em comer só folha porque tem que “perder essa gordurinha aqui, ó”, e quando você olha a gordurinha você só tem vontade de arrancar a roupa dela e a possuir ali mesmo, na fila de menos de 10 unidades do supermercado onde ela veio comprar iogurte light zero. Onde ela vê gordurinha, você a vê deliciosa! E ela acha os peitos muito grandes, diz que tem que emagrecer etc, etc, etc. Enquanto isso, depois da terceira frase dela a única coisa que você pensa é em quanto tempo vai conseguir arrancar aquele maldito vestido cheio de nós e laços e zíperes, e se a mesa da cozinha agüenta o peso de vocês. E ela se achando gorda e feia. Mas a sua opinião não faz a menor diferença o que faz diferença é quando ela ta andando com uma amiga, e vêem uma garota mais magra que cobra faquir, e falam: “meu Deus, mas ela era tão magra, tão bonita! Não quero ficar gorda desse jeito nunca na minha vida, por isso que só
faço quatro refeições por semana”, e você olha pra mulher em questão e quase vai lá ajudá-la a se segurar por causa do vento.
O que importa não é a sua opinião, nem a minha, nem a de homem nenhum. O que importa é a consciência dela quando encontrar com uma amiga na rua, e o olhar da amiga descer até a altura da cintura dela, e ela não vai ter medo da cara de “nossa, que baleia”, que a amiga pode fazer. O que importa não é ser magra, mas sim se as amigas vão achar ela magra.
Não é pra te agradar, nem agradar a elas mesmas. E não vem com esse papo de “me sentir bem comigo mesma” que essa não cola. Ninguém precisa ter 35 quilos pra se sentir bem, nem ter cabelo de cantora de coral da Suécia pra estar satisfeita. Se fosse só pra se sentir bem, não ligava pra se você tem cinqüenta quilos e suas amigas te acham gorda. Ou seja, quer os cabelos cacheados da sua namorada de volta? Quer que sua companheira não vire um esqueleto ambulante? Desista de tentar dar sua opinião ou convencê-la de que ela é linda, gostosa e que você a deseja o tempo todo. É mais fácil pra você pagar uma meia dúzia de amigas pra falar “Zefa, o que você fez no cabelo? Seus cachinhos tão lindos! E esse corpinho, tá M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!! Me conta o que você fez!!”. Em dois tempos ela joga a chapinha no lixo e aposenta
todos os diets, lights, zeros e livres de calorias, gorduras e sabor. Mas se você esquecer e der uma apertadinha na lateral da barriga dela, fudeu!! “Larga minha gordura! Por isso que eu não como nada, ta vendo!”. Tem-se que ter muito cuidado. Muito.

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