O assunto é espinhoso. E espinhento. Ambos. Tenho recebido muitos comentários com elogios, alguns merecidos, outros não, mas isso não vem ao caso. E algumas críticas. Poucas fundamentadas, tenho que admitir. A maioria é reclamação com relação ao meu estilo, minhas idéias, minha “homofobia” (deve ser coisa de veado), meu preconceito contra as mulheres (ah um tanque de roupa pra lavar…) e – esse ganha de todos – reclamações sobre meu Ego. Com maiúscula, ó o respeito. Mas não é exatamente sobre meu Ego, até porque eu não fico mostrando ele pra qualquer um. Tem que rolar um clima antes, eu sou tímido. Mas não é sobre meu Ego propriamente dito. Em linhas gerais, reclamam que eu acho que escrevo muito, que eu tenho opinião sobre tudo o tempo todo, que eu sou engraçadinho o tempo todo etc etc etc.

E eis que surge a questão: como escrever humor sem parecer arrogante? Não, eu não me preocupo em não parecer arrogante, na verdade eu não to nem aí. Só escrevi sobre isso pra parecer democrático, e porque eu tenho opinião sobre tudo o tempo todo. Escrever já é um ato meio arrogante em si mesmo, porque quem escreve já supõe, antes de terminada a obra, de que alguém vai ler aquilo, e gostar. Não existe essa que escrever pra si mesmo. Quem escreve pra si mesmo não faz livro nem blogue, escreve num diário com cadeado e não mostra pra ninguém. Quem escreve quer ser lido, ponto. E isso já é um tanto arrogante.

E quem escreve humor então, escorrega no próprio sebo. Além de escrever achando que alguém vai se interessar e ler, você tem a presunção de que, além de ler, o sujeito vai achar bom, e engraçado. Só conheço dois caras que realmente parecem pessoas tímidas e com egos controlados dentro do limite da normalidade: O Verissimo, filho, e o Woody Allen. Precisa explicar? Dois gênios, então, a não ser que você escreva tão bem quanto eles, não finja ser tímido, além de pegar mal já ta batido esse tipo. Então, qual a saída? Como, repetindo a questão, escrever humor sem parecer arrogante? Não sei. Eu pareço arrogante, logo, não faço a menor idéia. Mas tentar ser natural ajuda. O que eu escrevo é como eu sou. Não é personagem. Mesmo quando é ficção, sou eu quem está lá, falando aquilo. Eu sou aquilo diariamente, escrevendo, falando, trabalhando.

Mas agora uma dica: já que não tem jeito, você vai parecer arrogante de qualquer maneira, vai com tudo! Escreva mesmo como se você fosse bom pra cacete, como se todos fossem morrer de rir lendo você, como se você fosse o Woody Allen contando uma piada de judeus no campo de concentração. Faça humor com a certeza de que vai funcionar. Nesse caso, fazer bem ajuda bastante. Com essa atitude, as pessoas vão falar “porra, ele é metido mas é bom pra cacete!”. As pessoas não querem escritores pra casar com as filhas deles, elas querem é se divertir, e rir e ler coisas com qualidade.

Não interessa se você é metido, bicha, rubro-negro, judeu, Deputado Federal ou Presidente do Senado. Elas não tão nem aí pro seu caráter e pro seu Ego. Se você for bom, elas saberão separar sua obra do seu caráter. Aí você pergunta: “mas então você não é bom, porque as pessoas reclamam tanto do seu ego”. Respondo acendendo um cigarro com os olhos semi-cerrados levantando as sobrancelhas: “Elas reclamam, mas lêem. E voltam. E reclamam de novo. Mas no fim, sempre voltam”. Há quem não goste, claro, não to aqui pra ser unanimidade. Mas quem gosta não deixa de gostar pelo meu Ego ou pelo meu caráter. Elas só fingem que ficam ofendidas e reclamam nos comentários. Mas não deixam de ler. Tai a resposta: a melhor maneira de escrever humor e não parecer arrogante, é conseguir ser lido e reconhecido até por quem não gosta de você, como pessoa. Enfim, se eu encorajei alguém a escrever ou fazer humor depois disso, espero gratidão e recompensa financeira se o futuro lhes trouxer sucesso. Mais recompensa financeira do que gratidão, meu Ego pode viver com isso…

 

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