Como qualquer um que já leu pelo menos três linhas escritas por mim sabe, eu sou um sujeito muito, mas muito preconceituoso. Preconceituoso e politicamente incorreto. Ah, e intransigente. Certas coisas que acontecem me fazem pensar que a única maneira de pensar sobre isso é a minha, tamanho absurdo da situação. Dia desses conversava eu com uma amiga, que vai ter o nome preservado porque ela é leitora. E se eu não falar quem é, a convenço de que não falava dela. Então. Nessa conversa, por MSN, de repente me lembrei que não a tinha adicionada no Orkut. “Mafalda (fictício), acho que não tenho você no Orkut”. Ingenuamente indaguei. “Não tenho Orkut. Meu namorado mandou acabar”. E ela acabou.

A justificativa dela é que alguns recados de amigos dela estavam causando ciúmes. Aí, como na piada clássica, o namorado resolveu vender o sofá da sala. Ou ele acha que as pessoas que mandavam recados que o incomodavam, agora vão deixar de fazer? Não, vão fazer por telefone, MSN, email, pessoalmente etc. ele só não vai ficar sabendo. Simples assim. E ela, por sua vez, acatou. Sob a desculpa de que “não vale a pena brigar por isso”. Não vale a pena brigar pela liberdade? Pela individualidade? Cada um com seu cada um.

Fazer isso é a mesma coisa de se a empresa que você trabalha exigir que você mude seu nome pra “Paulo do Ponto Frio”, e você aceitar. E quando você sair de lá? E quando você não estiver no trabalho? E o argumento de que não vale brigar por isso, pra mim, é o contrário. Não vale a pena é namorar uma pessoa que não quer uma namorada, quer um labrador com peitos e que deite, role, sente (no bom sentido) e dê a patinha(ainda no bom sentido). Conheço algumas pessoas, bem próximas a mim, que não tem MSN, Orkut, e sequer nomes de pessoas do sexo oposto no celular, e os que têm são todos conhecidos e “aprovados” pela patroa, ou pelo “dono”.

Eu jamais me envolveria com uma pessoa que quer anular a vida social do parceiro ou da parceira, que a obriga a abrir mão da individualidade e da liberdade em nome de uma suposta estabilidade. Isso não é amor. Até é, mas o mesmo tipo de amor a maioria das pessoas sente pelos seus cães: elas os amam, mas tem que ficar bem claro quem é que manda no pedaço. Eu jamais aceitaria isso, e, sobretudo, jamais exigiria isso. E mais ainda: jamais namoraria uma pessoa que se submete a isso. Uma pessoa que faz desse tipo de atitude uma condição pra um relacionamento, não ama de verdade, só não quer perder.

Particularmente, eu quero uma namorada ou esposa que tenha a vida dela, a individualidade dela e a liberdade dela. Que não se anule, que não se humilhe, que não se esqueça dos amigos nem da vida dela por mim. Quero uma pessoa que me ame, mas que acima de tudo ame a ela mesma, e jamais admita se um dia, eu num arroubo de intransigência, fizer uma exigência dessas. Nunca vou fazer, mas se fizer, não quero uma mulher que aceite. É a velha história de que todos têm o direito de cometer um crime. Que arquem com as conseqüências depois, mas elas têm a liberdade de escolher. Quero uma mulher que tenha a liberdade de me trair, se for o caso, mas que não o faça porque me ama, e não porque eu anulei sua vida pessoal e social.

Enfim, quero uma mulher, com opinião, individualidade, que brigue comigo quando eu tiver ciúmes ou não aceite quando eu reclamar de maneira mais ríspida dos seus decotes. Que receba e mande, sem esconder, recados dos amigos, que ligue pra eles se for o caso. Que me deixe puto da vida de ciúmes, mas que não me deixe triste por ter uma namorada que aceitou se anular por qualquer motivo que seja. Enfim, como eu disse lá em cima, eu quero uma namorada, e não um labrador… Até porque, já tenho uma calopsita que assovia a música do Kill Bil, e uma namorada que é tudo isso que falei no parágrafo aí de cima. E se tem uma coisa que ela me deixa é puto da vida de ciúmes. Melhor assim…

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