Juro pra vocês que a afirmação que se segue não está permeada de rancor ou algo que o valha. É uma mera constatação, quase científica, fruto de anos de experimentação e empirismo. E depois disso, a conclusão a que cheguei foi a seguinte: você não precisa de ninguém para ser feliz. Muito menos pra viver. Tá bom, ta bom, talvez precise da Márcia Imperator ou da Paris Hilton pra ser feliz, e da sua mãe e do seu chefe pra viver, de uma maneira subjetiva, no segundo caso, claro. Meus últimos namoros me ofereceram material científico para chegar a essa conclusão. “Mas porra!, você não tava aí, todo apaixonadinho, namorandinho e tal”? Tava não, to. Explico.

Quando do rompimento de alguns dos meus namoros anteriores, principalmente o primeiro, na tenra idade de 21 aninhos, sofri, chorei, tanto que nem sei, como diria o Rei, pra rimar. Eu acreditava na invenção moderna e ocidental de que você nasce pra ser feliz com alguém, e papo findo. Imaginem então, meu desespero, quando essa verdade começava a ruir pra mim? Era um Deus-nos-acuda! Até que, conversando com um amigo chinês, e portanto muito mais esperto do que qualquer ocidental nesse mundo, toquei nesse assunto. E ele disse isso, exatamente. A vida é muito mais legal se temos alguém, claro, mas se não temos, durma-se com um barulho desses. Ninguém morre por isso. Alguns idiotas se morrem, mas é diferente.

E parando pra pensar, é tão melhor viver assim. Retomando a indagação dos meus sagazes milhares de leitores, é como penso hoje. Eu viveria sem a minha namorada? Sim. Morreria se ela me deixasse? Não. Nem ela morreria. Mas a minha vida ia ser uma bosta sem ela, com ela é infinitamente mais legal! Mas o mais legal é isso! Eu tenho escolha! Eu não to preso a um sentimento de “merda, não ia conseguir viver sem ela”, porque desse jeito, a gente não teme escolha. Já falei disso antes, mas percebi que era da boca pra fora, acontece. Agora é sério, várias vezes antes de começar o namoro eu ponderei, e cheguei a conclusão de que eu podia ficar sem ela, mas ia ser do caralho se eu ficasse com ela! Por isso eu fiquei. E por isso eu to. Porque eu tenho consciência de que foi o que eu escolhi, foi a pessoa que eu quis, e não a pessoa que “Deus” colocou no meu caminho ou que o destino me trouxe.

Vê lá se eu ia deixar Deus escolher mulher pra mim? Ou se eu ia me conformar em alguma coisa da qual eu não pudesse sair porque “é assim que tem que ser”? Comigo não, violão. Até porque, qual o mérito em estar com alguém porque não se consegue ficar sem? “É, Rubão, você é pedófilo, judeu, caolho, flamenguista, alemão, vendedor de Herbalife, atendimento de agência e Presidente do Senado mas eu não consigo viver sem você”. Prefiro “Gêison, você é um filho da puta, metido a besta, sarcástico, preconceituoso, tarado, só fala palavrão, acha que escreve pra caralho, tricolor e se veste como se tivesse treze anos, mas eu te amo e to com você porque eu quero, e não porque não tenho escolha”. Ah, vai, bem mais legal desse jeito!

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