Você não é a mulher da minha vida. Pelo menos, ainda não. Você não foi meu primeiro amor, nem minha primeira namorada, muito menos minha primeira mulher. Não foi amor a primeira vista nem uma paixão que me arrebatou logo de cara. Não estamos juntos por amigos em comum, afinidades de qualquer grau ou por força do destino. Nada místico, nada mágico, nada “sobe trilha com névoa ao fundo e viveram felizes para sempre”. Foi aos poucos. E, também aos poucos, uma menina que não gostava muito de ler, passou a ser a minha leitora número um. E essa leitura fiel, somada a um contato diário via internet foram fazendo isso tudo começar.

Aos poucos você me conquistou como ninguém fez, repito, aos poucos. Paixões arrebatadoras não nos deixam escolha. Não precisam de motivo nem causa. Com você foi aos poucos. E não vou mentir, você tem uma coisa que mulher nenhuma teve: apesar da admiração que você tem por mim – que não cabe aqui discutir se mereço ou não, apesar de achar que não – apesar disso, você me aceita com todos os defeitos de uma maneira que me dá até medo. Chato, brigão, ciumento, cínico, debochado, transbordando humor negro e sarcasmo… Mesmo não sendo nada disso com você, tirando o ciumento… Não é questão de aceitar cegamente, como muita gente faz. A questão é que você entende que ninguém é perfeito, nem você, eu muito menos, e aceita isso. Não fica posando de superior, me corrigindo o tempo todo ou me recriminando. Você reclama quanto tem que reclamar, e fala quando tem que falar, mas sem me achar um estuprador que acabou de sair da cadeia, como várias pessoas fazem…

Queria que as coisas fossem um pouco mais fáceis, você e alguns de vocês sabem do que eu to falando. Queria poder participar mais do seu dia a dia, do seu crescimento constante e dessa fase difícil da sua vida, de escolha profissional e tal. Queria eu ter alguém pra me ajudar, as coisas teriam sido em mais fáceis. E você me escuta quando eu falo sobre coisas que eu já passei, porque você sabe que não falo por mal, falo pra você pegar os atalhos que eu poderia ter pegado e ninguém me mostrou. Com dez anos a menos, você uma maturidade que eu não vou ter em cinquenta anos, e que poucas mulheres com quem já me envolvi tiveram. No sentido de ouvir, de prestar atenção, coisa que eu nunca tive. Sempre me fodi, com muito orgulho, inclusive. Você faz hoje, o que eu aprendi a fazer depois de anos me fodendo. “Só um idiota aprende com os próprios erros. Um sábio aprende com os erros dos outros”. E você ta aprendendo com os meus, que não foram poucos, diga-se de passagem.

É isso. Aos poucos, bailarina, você me trata e gosta de mim de uma maneira que eu achei que só existisse em filme. Sem desespero, sem morrer por isso. Só gostando, admirando e cuidando. E pode ter certeza, bailarina, é mútuo.

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