“Se a rosa tivesse outro nome, teria o mesmo perfume?”. Frasesinha batida de Romeu e Julieta. Sim, teria o mesmo perfume. Pois bem. Esse moleque aí em cima não é meu filho. Nem parente de sangue ele é. E também, oficialmente, não é meu afilhado. Vai entender. Ser filho de um idiota com um melhor amigo imbecil dá nessas cretinices… Mas, enfim. Ele não é nada disso que eu falei. Mas é meu sobrinho. Por queo pai dele é meu irmão. Não de sangue, por que se fosse de sangu eseria culpa só do destino. Mas irmão de alma, de escolha. Irmão que briga, xinga e come toda a comida da geladeira do outro. Mas então, esse moleque. Esse moleque é hoje, junto com o fluminense, meu playstation II e meus dois monitores, a coisa mais importante naminha vida. Esse moleque com cara de safado e falsa criança boazinha mudou a minha vida. Me fez ver que vale a pena se fuder de trabalhar, ganhar mal, fuder o estômago, o coração e a cachola, se quando chegarem casa ele estiver lá, te esperando pra dormir. O Pablo é um cara de muita sorte de ter isso.
Ele é inteligente, genial, pra ser mais preciso, alegre, simpático, charmoso, bom caráter, enfim, tudo o que eu queria que meu filho fosse. Até nos defeitos esse nanico é foda!Ele é super ativo, fala alto, não para quieto, fala palavrão, faz safadeza com os outros… Quem me conhece sabe: apesar de não ser meu filho (já falei pro Pablo, pai é quem cria…), esse moleque é o que eu era, há vinte anos! E ele me trata como se eu fosse um sujeito legal de verdade. Ele não sabe de nada, da vida, as pessoas, de nada… E é a melhor sensação do mundo ganhar um “Poxa, tio! Você sumiu, tava com saudade”, e um abraço apertado, e depois o bico na canela e “vamos brincar de pirata?? Mas não pode me matar!”. Eu esqueço as contas, as mulheres complicadas da minha vida, esqueço meu joelho doendo, meusalário de bosta e que amanhã vou ter que acordar cedo.
Esse moleque me faz manter a porra da cabeça no lugar antes de fazer merda, e pensar que “Ei, e se o Pedrinho me visse fazendo isso?”. Aí eu não faço. Eu sou uma pessoa muito melhor por causa dele. Por que ele me tem como exemplo junto com o pai dele. Exemplo de mau exemplo, mas tem. Eu arroto alto, ele arrota alto. Eu olho pra mulher na rua, ele olha pra mulher na rua sem nem saber por que. Não posso decepcionar esse moleque! Eu quero que ele cresça e seja como eu e o Pablo somos. Mais como o Pablo, claro. E que ele nos tenha sempre por perto, o Pablo pra ensinar coisa séria, e eu pra ensinar besteira, por que é disso que criança gosta. E é disso que eu gosto também.
Enfim, Pedrinho, parabéns, e Tio Cabide te ama, moleque. Mais do que já ame qualquer mulher na minha vida, mais do que qualquer videogame que já tive, mais do que o flumin… eer, quer dizer… é isso! Te amo muito! E você vai ser pra sempre o sobrinho preferido, o abraço mais gostoso, o beijo mais reconfortante e o único que pode me bater e manter os dentes dentro da boca… Beijo, moleque. Espero que quando você tiver a minha idade, a gente leia isso juntos, e você fale “porra, tu escrevia mal, hein! Eu faço muito melhor”. Você é o único no mundo, junto com seu pai, que eu torço pra que me supere em tudo. Beijo, moleque.

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