Antes que eu me esqueça, eu te odeio. São uma e meia da porra da manhã, e eu nunca senti tanta raiva de alguém na minha vid ainteira. E sinto mais ainda por, depois disso tudo, estar escrevendo essa merda. E sim!, você tava certa, eu queria sim que você sofresse por termos terminado uma coisa que nunca tivemos, e sim!, eu queria que você estivesse sofrendo! Mas não pelo prazer de te ver sofrer, e sim por que se você me pedisse, eu voltava na mesma hora, e esqueia as horas de conversas que tivemos sobre nós, e tudo o que eu fiz e o que você fez para que tudo terminasse bem. Por que eu não quero que essa droga termine! Não importa se eu fiquei com ela, não importa se você não liga, não importa nada!

Em quase dez anos disso, pela primeira vez vi você se deixar levar, admitir que não era só o que você achava que era. E dois dias depois você que aquilo foi um “lapso”? que aquilo não era você? Quer saber? Você nunca foi tanto você quanto naquele dia! Se fosse só o que você achava que era, não teriam os cafunés, as conversas sobre assuntos delicados e as horas ao telefone por semana. E agora, você tá dormindo, rindo do meu ataque de umas horas atrás, e eu aqui, te escrevendo essa bosta.

Você é uma das pessoas que mais gosto de conversar. Nunca falta assunto, nós nunca concordamos, e, até essa semana, sempre foi tudo tão leve, tão prazeroso e sem rusgas. Sem culpas, sem fingimentos adolescentes ou falsas crises pseudo-maduras. Sem meias palavras, sem meios atos, sem meias vontades. E eu esperava, sinceramente, que uma hora os desencontros iam acabar, e tudo ia ser resolver, e poderíamos ficar juntos por mais de trinta minutos uma vez na vida. Juro que eu tinha. Mas depois da atitude que você tomou essa semana, e você sabe do que eu estou falando, perdi as esperanças. Tamanho desapego só me fez acreditar que o que você queria era mesmo o que tínhamos. Não mais, talvez menos, talvez em outras circunstâncias. Mas não mais. E perdi tanto as esperanças que fiz o que, dias atrás, tinha certeza que não faria.

Te conheço, e sei que nesse ponto, você tá rindo, achando que me arrependi e pensei rápido em uma desculpa. Mas não, nem me arrependi, nem é desculpa. Você sabe o que eu queria, sabe o quanto eu teria esperado, e sabe o quanto eu estava disposto a correr o risco de esperar em vão. Ao menos eu teria escolha. Por que você foi a minha quarta namorada. A que eu nunca namorei. Mas que já passou mais tempo comigo do que algumas delas. Você é a pausa na minha resposta, quando perguntam “com quantas mulheres você já namorou?”. Ou a confusão na minha mente pra pergunta sem resposta “quantas mulheres eu amei na minha vida?”.

É isso. Juro que esse texto tava aberto há semanas, e não saía nada. E pro seu azar, saiu agora. Com toda a raiva que eu to sentindo. Não to nem aí se você vai rir disso, e sua vida vai seguir sem mim como sempre foi, ou se você vai me ligar e berrar comigo. Não faz mais a mínima diferença. Não faz mais, mas já fez muita. Ah, e só pra você ficar sabendo: eu teria esperado.

p.s.: pronto, chega de textos pra mulher nessa porra. Até por que, essa merda não é um diário, é um blogue. Chega, já deu o que tinha que dar, já me trouxe os problemas que tinha que trazer. E quem me dera ter tanta mulher assim. Licença poética, pessoal, bota entre aspas no google que você vão ver do que to falando. Voltamos agora à programação normal.

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