Duas da manhã, programação adulta na TV e pouco sono. Uma combinação péssima pra se parir um texto. Só sai besteira. Mas tem um assunto no qual eu venho pensando insistentemente. Uma coisa que eu tenho certeza que quase o mundo inteiro compartilha comigo. É o famoso e execrado tesão incubado. Perái, não é só por que eu sem querer tava zapeando e parei a TV num canal para maiores que vou falar sacanagem. Não to falando de tesão incubado no sentido carnal. To falando do sneitdo amplo. Calma, gente, eu explico. Tesão incubado aqui seria aquela pessoa que faz parte do seu passado, mas que sempre fica um clininha, uma lembrancinha, um sorrisinho de canto de boca quando ela liga a webcam e você se lembra por que você achava o sorriso dela tão lindo. Aquela pessoa que, tendo tido alguma coisa co você ou não, deixa sempre a imperssão de que falta alguma coisa a se resolver. E, na maioria dos casos, o sentimento é recíproco.

Tenho também o meu. A minha, que fique bem claro. A conheci faz alguns anos. Uns seis, eu acho. Logo de início, uma finidade enorme se fez presente. Conversas que duravam horas e um prazer pela companhia do outro que só crescia. Tudo bem, tudo bem, muito mais prazer na companhia dela do que ela da minha. Na época ela tinha namorado. A partir desse momento até a presente data, começaram os desencontros. Comecei a namorar e ela, depois de um mês, terminou o namoro. Ficou solteira meses e meses. Enquanto isso sempre nos falávamos. Até que meu namoro terminou e, em duas semanas, era ela quem começava a namorar. Durou pouco tempo, e logo terminou. Ambos solteiros, era a hora de resolver o impasse! Quem me dera… Ela nunca tinha tempo, quando tinha eu não podia.

Ela nunca se abrira comigo de verdade, era sempre, da parte dela, subentendido. Esses desencontros me levaram a acreditar que ela não queria – burro – e que ela estava me enrolando para não ter que me dizer um não. Até que, uns meses depois, comecei a namorar. Tamanha foi minha surpresa ante a reação dela com a notícia: me xingou de todos os palavrões do universo, ficou com muita raiva de mim, mas muita mesmo, e ficou também bastante triste. Foi aí que percebi o que não tinha percebido antes. Que erla queria, talvez não tanto quanto eu, mas que ela queria. Ficamos meses sem nos falar. Muito tempo depois, em uma atitude inédita, admiti que estava errado. Conversamos e voltamos a nos falar. Perdemos contato por umas semanas, até que terminei meu namoro. Triste pela separação mas feliz da vida pela chance de resolver isso de uma vez por todas, passo a mão no telefone e ligo pra ela. “Bom, Léo, to namorando”. Admito que as primeiras cinquanta palavras que passaram na minha cabeça foram palavrões. As outras cinquenta eram combinações de palavrões.

Um tempo depois ela terminou, fiocou um tempo solteira, mais desencontros, e ela voltou pro namorado. E continua com ele até o momento em que fecho esse texto. E eu aqui, pensando nela, falando com ela e lembrando por que eu era tão fascinado por aquele sorriso fácil e contagiante, e por aquele jeito de menininha desatenta que finge que não é com ela. Mas é com ela. Vai ser sempre com ela. E se um dia os desencontros pararem, escrevo aqui avisando a vocês, queridos leitores. Até por que, até o Charlie Brown ganha um beijo da menininha ruiva um dia. Nos sonhos dele, mas ganha…

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