Bom, como todo mundo sabe, tenho escrito bem menos aqui do que deveria pra um sujeito que pretende ficar milionário escrevendo antes dos trinta. Antes, no início do blogue, as coisas eram bem mais profícuas por aqui. E todo mundo sabe por que. Hoje os textos estão mais esparsos, só os amigos sentem falta e cobram, mais por educação do que por outra coisa. Mas há alguns dias, vi um comentário em um texto meu. Era um comentário simples, “escreve mais, vai”. Assinava “Juliana”. Bom, a mão do meu afilhado é Juliana, e ela é um anjo, sempre elogia qualquer porcaria que eu escrevo. Pensei “ah, que legal, a Ju não tem o que fazer em casa e queria ler alguma coisa engraçada”.

Pois eis que, ontem, um comentário me fez parar pra pensar. Dizia, ipsis literis: “Léo, falando sério, não deixa de escrever aqui.. cara, voce escreve demais.. é lindo ver o seu amor..e as coisas que voce sente.. mesmo lendo coisas q eu nunca senti, eu consigo saber exatamente como é que voce sente. vc tem futuro =)”. Bom, nesse comentário não reconheci a Juju do Pedrinho, meu afilhado. Não parece ser ela. Nem nenhuma Ju que eu me lembre. Até por que, nenhuma pessoa que me conhece, em sã consciência, ia me elogiar desse jeito. Todos eles acham meu ego a única construção da Terra visível de Vênus. Nenhum deles faria isso. E também, a Juju é casada com meu melhor amigo, e ela já sentiu quase tudo disso que eu escrevo.

Então, se for alguma Ju conhecida, desconsidere esse txto a partir daqui, e obrigado pelo comentário. Se for alguma Ju que eu não conheço, ou pelo não saiba quem é, continue lendo. E me elogiando sempre, claro. Pois então. Antes de mais nada, obrigado pelos elogios. É legal saber que não só meus melhores amigos que lêem isso aqui. E que não são só eles que gostam do que eu escrevo. Só que, quanto ao meu amor, usa no passado agora. “Sentia” etc. não pretendo mais escrever sobre isso, não me faz bem a longo prazo. Eu fico lendo, remoendo…

Você falou que nunca sentiu essas coisas. Primeiro, foi o melhor elogio da minha vida saber que alguém que nunca sentiu as coisas das quais eu falo consegue saber exatamente o que eu senti. Pra um cara que escreve, ouvir isso é a melhor coisa. Segundo: como assim nunca sentiu? Nunca amou, ou nunca tomou um pé na bunda? Se nunca tomou um pé, sorte sua. Se você não for escritora, sua vida vai ser bem melhor sem ter que passar por isso. Agora, se não amou, antes que eu esqueça, me dá a receita. Mas olha, se você nunca amou, não sabe o que tá perdendo. Tá perdendo noites de sono perdidas, litros de lágrimas derramados, horas e horas de expectativa vã por um telefonema que não vem nunca, dores de cabeça, no peito e nós na garganta, mas também cafunés sensacionais enquanto você faz cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança, beijos apaixonados, abraços intensos, e uma pessoa que te ama como se você merecesse. Vou falar, no momento ainda dói, mas assim que passar, vou ter que lhe dizer: vale a pena. Vale a pena trocar uma briga por um sorriso de dentro do ônibus de partida, vale a pena trocar uma noite em claro por um “ele não é lindo” sussurrado a uma amiga, com um sorriso no rosto, como se você fosse, realmente, bonito. E vale muito a pena trocar as hora de ansiedade a espera do telefonema que não vem, pela alegria que toma conta de você quando, finalmente, ele vem.

Bom, é isso, Ju. Obrigado pelos elogios, e se eu não te conhecer, ou não souber quem você é, seja sempre muito bem vinda por aqui, mas cuidado, meu ego tem vida própria, elogia muito não que ele acaba se acostumando mal. Ah, e antes que eu esqueça, se identifique no próximo comentário, por favor, e deixe algum contato. E capricha, por que vou postar aí em cima o seu comentário em resposta a esse texto. p.s.: depois eu mando o recibo por esse texto. p.p.s.: quanto a eu ter futuro, que Deus te ouça e as editoras e as revistas digam amém.

Anúncios