Até ontem, quando alguém puxava uma discussão sobre se o amor, ou um mero envolvimento mais, digamos, íntimo, estragava ou não uma amizade, eu defendia ferrenhamente que claro que não!, pelo contrário, por que a intimidade aumenta, e duas pessoas que já se gostavam, agora estão mais próximas. Eu era execreado, massacrado, ninguém concordava comigo. Hoje, muito a contragosto, tenho que admitir: mudei de idéia. Quer dizer, não exatamente. O relacionamento em si não estraga nada, muito pelo contrário. Mas, quando o relacionamento termina, ou o amor de um dos dois chega ao fim, aí começa a confusão.
Me diz, camarada, como que fica vendo filme do lado da amiga-ex-namorada-que-não-te-ama-mais sem pedir um beijo? Como que vai ao cinema com essa criatura sem sussurrar “eu te amo” ao pé d’ouvido? Me diz, nobre camarada, como faz pra ir na casa dela fazer uma visita e não falar “puta que pariu! Como você não sente saudade de mim? Como você não me ama mais? Como, como assim, você tá sem mim há duas semanas e não tá louca de vontade de me agarrar, tirar minha roupa de falar que me ama, merda?!”. Me diz, camarada, como que faz!?
E se a gente cai em tentação em faz isso, como que faz pra não deixar a culpa consumir uma pessoa que, de uma maneira ou outra, ainda gosta de você? Como que faz pra não incomodar, pedindo pra voltar o tempo todo, falando que ama o tempo todo, chorando de saudade a porra do tempo todo? E como que faz pra não atrapalhar a vida da pessoa que você ainda ama? E se algum dia você a vir com outro, como que faz pra não quebrar a cara do sujeito, pegar ela no colo e mandar subir a trilha e o “the end”? Não faz. Eu, pelo menos, não consigo. Se alguém aí consegue, por favor, cartas para a redação. Então, da próxima vez que você se apaixonar por uma amiga, garanta que vai ficar com ela pro resto da vida, por que periga perder o amor e a amiga. E ainda rimou…

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