Eu nutro uma antipatia ímpar por textos que começam com perguntas, mais ainda perguntas vagas e existenciais. Mas vou abrir uma exceção. Aliás, nem vou, por que o texto já começou mesmo. Então, segue minha implicância e vamos ao que interessa.
Por que o amor acaba? Não me refiro ao amor que acaba por que começa outro. Me refiro ao que acaba por que acaba e só. Pessoas se conhecem, se apaixonam, se amam, são felizes, e numa bela noite de luar, “não te amo mais”. Alto lá, cara pálida! Como assim? Me amava ontem e hoje não ama mais? E o pior é que para a pessoa que não ama mais, tudo isso parece muito natural. Mesmo pessoas que já estiveram do outro lado se esquecem disso, e incorrem nisso. Te amam hoje, não te amam amanhã, e não te ligam por semanas. E se você ligar, periga a pessoa estar se divertindo e “o que??? Fala alto que a música tá altaaaa!! Olha, depois te ligo!!”. E não liga. E você fica puto, por que a importância que você tinha anteontem, hoje foi transferida para a inadiável necessidade de se divertir longe de você. Como se você antes fosse um empecilho para a felicidade.
A pessoa nem faz por mal. Ela só não te ama mais. E você ainda ama, mas o que ela pode fazer? A felicidade dela agora não depende mais de você. Aliás, depende sim. Depende de você não ligar mais e parar de encher o saco. E quanto mais a pessoa pede pra não ligar, mais vontade dá de ligar. E você fica, como eu, o tempo todo inventando motivos idiotas pra ligar pra ela. “Sabe aquele cotoco de lápis que eu esqueci dentro da sua bolsa de praia, no carnaval do ano passado, em Iguaba? Então, to precisando dele. Não, precisa ser hoje não. Liguei só pra você guardar ele pra mim”.
E quando a pessoa não atende? Amigo, é o inferno. Você imagina as maiores atrocidades que um ser humano é capaz, e liga duzentas vezes em cinco minutos, mas quando ela atende e “poxa, tava na piscina e esqueci o celular no quarto”, você pensa que é claro, por que mais ela não te atenderia? E você vai pro banho, leva o telefone, vai na montanha russa, leva o telefone, vai jogar golfe, leva o telefone, e ela nunca que liga. Mas você anda com o diabo do telefone pra cima e pra baixo, afinal, vai que ela se arrepende e liga, e você não atende, e ela desiste? É melhor não correr o risco. E se você liga e ela tá com pressa, você já acha que ela já tem outro, e se você liga e ela é só educada, você já enche o saco querendo voltar.
E meu Deus, como ela consegue se divertir sem você, enquanto você está em casa tendo um ataque de ansiedade se controlando pra não ligar pra ela? Como ela pode ir pra praia enquanto você tá no trabalho pensando nela e esperando ela ligar? E como ela pode!, como ela pode?, ficar com outro cara? Ele não é estiloso como você, não escreve bem como você, nem é tão romântico, carinhoso ou engraçado como você? Deus!, como ela pôde? E como ela pode fazer carinho, rir com ele, e como ela pode, como ela teve coragem, de deixar esse crápula brincar com o cachorro dela? Que mundo injusto.
Ao invés de ficar se preocupando com aquecimento global, guerras, crianças morrendo na África ou racismo, por que os governantes não dão um jeito de proibir as pessoas de deixarem de nos amar? Garanto que iam ter muito mais apoio e iam conseguir muito mais votos. O meu pelo menos já é certo.

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