Antes de mais nada, gostaria de dizer que não sei se minha digníssima namorada vai ficar feliz com essa iniciativa, portanto, meus sete leitores, me defendam se ela me bater.
Bom, esse texto foi uma caarta que eu escrevi pra ela há uns dois meses. Texto profético, leiam com atenção a ÚLTIMA LINHA. Ainda gnaho na megasena…

Bia,

Tem um texto do Artur da Távola, que eu até te mandei, que se chama “Ter ou não ter namorado”. O texto é foda. Aí eu resolvi escrever outro, mas só vou te entregar na segunda, se eu agüentar, claro, rs. Bom, vamos lá.

Ficar sozinho

Há pessoas que querem ficar sozinhas. Conheço várias. Homens, mais, e mulheres, em menor quantidade, mas sempre as mais belas. Os motivos são os mais variados: mágoas passadas, medo de mágoas futuras, vontade de ficar sozinho por ficar, são muitos. E o caráter das pessoas também. Nem todos os que querem ficar sozinhos querem esbórnia e uma vida desregrada pra sempre. Definitivamente, justificando meu quase plágio, uma pessoa que quer ficar sozinha, com certeza não leu Drummond.
Quem quer ficar sozinho é alguém que, como disseram as Escrituras, não sabe o que faz. Mesmo tendo eu que admitir que não estar sozinho é muito difícil, mesmo para os que não estão sozinhos. Ficar sozinho é não ter motivo pra sorrir quando passa na rua e ouve a música daquele seriado idiota que ela adora. É não ter por que sair correndo do trabalho pra ir de encontro a alguém. É não ter fuga em uma aula de Comunicação comparada – das mais chatas -, por que quem não está sozinho, numa situação dessas, escreve cartas, desenha corações, fica olhando pra cara do professor pensando no cinema de ontem, no jantar de anteontem ou nos filhos de amanhã.
Ficar sozinho é, depois de um dia infernal, não ter um cafuné te esperando em casa, acompanhado de uma massagenzinha e uma carga nova pra agüentar tudo no dia seguinte. É não sentir a outra pessoa te apertando forte quando te abraça, como se você fosse fugir a qualquer momento. É não sorrir que nem criança quando a outra pessoa pisca com os dois olhos como quem manda um beijo. É não ver, depois de um beijo, os olhinhos fechados dela por alguns segundos, como se você fosse o George Clooney e não acredita no que está acontecendo. Mas você não é George Clooney. E mesmo assim ela continua fechando os olhinhos como se não acreditasse. Gente sozinha tem isso, camarada?
Gente sozinha tem pra quem escrever um texto como esse? Tem não. Tem de quem ganhar bom-bom, beijo no olho e bilhetinho durante a aula? Que nada. E quando chove, venta e faz um frio danado, quem quer ficar sozinho faz o que? Alugar um filminho e ver abraçadinho é que não dá. E quando dá aquela angústia, aquela vontade de pegar um taco de basebol e arrebentar tudo que vê pelo caminho? Eles não têm alguém que os acalme só com um olhar terno, e faça você desistir dessa bobagem toda só por aquela pessoa está ali – por que, afinal, é isso que vale. Quem quer ser sozinho não sente o sorriso apaixonado do outro lado do telefone, não recebe mensagem de ninguém às três da manhã dizendo que tá morrendo de saudade nem gasta os tubos por que a amada mora em Pindamonhangaba e afinal de contas, você não pode dormir sem dar boa noite. E você paga a conta rindo, o dinheiro mais bem empregado do mundo.
Os sozinhos não sabem o que é ter que ir embora e encarar aquele olhar de cachorro que caiu do caminhão de mudança, e que te faz ficar mais duas horas, tendo que ter ido embora quatro horas atrás. Eles não conhecem a ansiedade de esperar alguém ligar a qualquer momento só pra dar um beijo. Nem andam na rua cantarolando e assoviando “carinhoso” depois de uma tarde de carícias e beijos apaixonados. Eles também não tem inspiração pra escrever um texto desses. Nem a sorte de terem um desse escrito só pra eles. Bom, essa parte não é verdade. Por que esse texto acaba de ser escrito pra umas dessas pessoas que querem ficar sozinhas. Mas no que depender desse humilde sozinho a contra gosto que vos fala, isso é por pouco tempo.

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