Enfim juntos. Há quatro dias e quinze horas, contando. Depois de muito tempo, muita enrolação, muita indecisão, muito texto romântico, muitos desencontros, enfim, muita água por baixo da ponte. Nos acertamos, e de uma maneira que nem eu esperava com meu otimismo mórbido de criança que pede um videogame no natal e começa a comprar as fitas em fevereiro. Nos acertamos como eu sempre quis que nos acertássemos, mas já tinha poucas esperanças que acontecesse. Mas aconteceu. Ela agora parece ter certeza absoluta do que quer. Eu já tinha há algum tempo. Arrisco até dizer que ela também, mas não sabia, ou não admitia. Que seja, nos acertamos. Barba, cabelo, bigode, buço descolorido e cera quente na virilha. No bom sentido, claro, senão ela me bate.
E a gente tem se dado tão bem que dá até pra desconfiar. Brincadeira. Mas estamos bem melhor do que eu esperava. E isso é ótimo. Ela ta tão feliz quanto eu. Tanto quanto. E a melhor parte: ela ta me tratando melhor do que menininha que troca garrafa por um peixinho. Me mima o tempo todo. Estamos namorando há pouco menos de uma semana, mas parece que são anos. O jeito com que nós nos tratamos, a intimidade que nós já temos, e, principalmente, o carinho que ela tem comigo, estão me surpreendendo de uma maneira ótima. E espero que não deixe de me surpreender nunca.
Não vou mentir: to apaixonado. De verdade. To louco por essa magricela com jeito de menininha com medo de trovão. Ainda hoje, quase uma semana depois, eu fico sem jeito quando ela se aninha no meu peito e fica fazendo carinho até dormir. Ou quando ela, de repente, me abraça forte como quem diz “não sai daqui nunca mais, garoto!”. E sem querer ser piegas, depois de tantos problemas que a gente teve, tanta gente contra, e tanto problema que ainda vamos ter, esse carinho todo é muito mais do que bem vindo. Há algumas semanas atrás, a situação entre nós dois tava mais feia do que briga de navalha, mais feia do que acidente de trem. Mas nós contornamos isso, e estamos aqui. Juntos, muito bem juntos, inclusive, e muito felizes. Felizes como há tempos eu não ficava, nem a via feliz desse jeito.
Bom, é isso. Nada de mais. Esse foi só um textinho pra começar o blogue. Ainda to meio atordoado com a gente… Estamos em lua de mel. Por uns, dez, quinze… anos! No mínimo. Não quero essa magrela chorona e bicuda longe de mim tão cedo. Tem um poeta chamado Khalil Gibran, que diz que “o amor é uma bela flor, à beira de um abismo. Só os que têm coragem de desafiar a possível queda, poderão deleitar-se com seu aroma”. Eu tive. E ela, há uns dias, também. E como eu sempre digo que é melhor morrer de pé, do que viver de joelhos, vamos fazer um pic nic à beira do abismo. Se cair, pelo menos colhemos a flor. Te amo, magrela. Boa sorte pra gente.

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