Já falei isso aqui: sou um covarde. De verdade. E isso vai justificar tudo o que eu vou dizer agora. Eu preferia que não tivesse acontecido. De verdade. O idiota que falou que é melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado, não sabe o tamanho da besteira que falou. Ainda mais pra gente que nem eu, idiota, que não sabe cortar laços e fica sempre com pontas soltas. Gente que nem eu, que deposita todas as fichas ao primeiro sinal desse sentimento, embora, como disse Gibran, “espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos; e quando ele vos falar, acreditai nele, embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim”. E foi o que aconteceu. A espada não só feriu, decepou.
Um sentimento que não me deixou em paz durante muito tempo, mas que agora tenho que me livrar dele o quanto antes. De preferência, antes do almoço, por que não agüento mais. Isso que dá, se eu fosse normal não tinha disso, todo escritor é assim, meio aviadado, meio atormentado, vivendo tudo como se fosse morrer antes do fim de semana. Mas nem todo mundo faz – ou entende – isso. Já pensei diferente disso, mas hoje em dia, eu abriria mão de todas as lembranças boas, só pra acordar amanhã e não ter as lembranças ruim, nem esse gosto amargo de nocaute na boca.
Eu devia ter dado ouvidos ao resto do mundo, inclusive à ela, e ter desistido. Mas não, mania de Dom Quixote, bater em moinhos achando que tá fazendo grande coisa. Mania idiota de tentar sempre até o final. Perder assim dói muito mais do que perder por pontos. E dói por muito mais tempo. Mas uma hora eu aprendo. Pelo menos eu espero. Bom, é isso. Esse é o último texto desse blogue. Vou fechar ele. E não vai ter mais blogue. Nem teimosia, nem esse papo de “morrer lutando”. Nada disso. Vou ser um cara normal agora, que não liga no dia seguinte, não manda flores, não lembra de aniversário, não escreve cartas, mas também não chora, não fica como eu to agora, não sofre tanto, e consegue esquecer rápido. É uma troca justa. That´s all, folks.”

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