Bom, ao contrario do que dizem alguns (quase todos) dos comentários nos meus textos anteriores, eu não sou veado. Nem mal amado. Nem nada do tipo. Eu tenho uma namorada – linda, por sinal. E é ela que motivou esse post de hoje. Estamos juntos há um ano – feito daqui há duas semanas. E moramos em cidades diferentes, distantes uns setenta quilômetros. Só nos vemos nos fins de semana. Quase não saímos juntos, temos poucos amigos em comum e nunca, em um ano de namoro, dormimos juntos. Se você estiver se perguntando “o que eu tenho a ver com isso?”, deixa de ser rabugento e continue lendo. Se você está curioso pra saber como isso funciona, se dá certo, ou até se quer umas dicas para o seu namoro a distância, espero que esse texto lhe seja útil. Se não for, caguei, lê mesmo assim. 

 

Manual do namoro à distância

 

Introdução

 

Bom, quando eu digo “namoro à distancia”, quero dizer distancia mesmo. Uns bairros ou até mesmo na cidade vizinha há vinte minutos não conta.

Se qualquer relacionamento já é por si só, complicado, imagine se relacionar com uma pessoa que não está fisicamente perto de você. É complicado. Nesse tipo de relacionamento, tudo se potencializa: os ciúmes são maiores, a saudade é maior (lógico), as discussões bobas, enfim, tudo se potencializa pelo simples fato de não ter a pessoa ali do seu lado. Vou tentar falar sobre pontos específicos, se faltar algum, cartas pra redação.

 

Ausência

 

Parece óbvio, mas não é. No início você acha que vai ser fácil, afinal, você nem via a sua ex todo dia e não morria por isso. Mas quando você percebe que você não vai poder ver a sua namorada nem se você quiser, aí ferrou. Você tem um boteco com os amigos, ela não vai; aniversário, batizado, churrasco, nada dela ir também; cinema, teatro ou jantar, só em raras ocasiões, e isso se você der a sorte que eu não dei de ter uma sogra que entenda a saudade que vocês sentem um do outro. No começo é legal, dá saudade, mas depois fica complicado não poder contar com a pessoa que você ama do seu lado quando você precisar.

Nesse caso o melhor a se fazer é arruma uma maneira de não se sentir tão longe da outra pessoa: internet, SMS, telefone (se não for muito caro), enfim, uma maneira de, pelo menos de algum modo, ter a pessoa um pouco mais dentro da sua vida. E um ponto importante aqui: caso você seja uma pedra de gelo e goste de ver a outra pessoa só uma vez por semana, nunca, jamais, diga que não entende como ela pode ter tanta saudade. Ninguém é obrigado a se sentir como você se sente.

 

Ciúmes

 

Bom, aqui o bicho começa a pegar. Namorando alguém que more longe você vai conhecer seu verdadeiro ‘eu’. Se você não é ciumento, vai ficar. Se é um pouco, vai piorar. Se é muito, camarada, ta fodido, vai virar um montro. É muito mais fácil confiar quando você poderia esbarrar com a outra pessoa em uma esquina a qualquer momento. É muito fácil não ter ciúmes dos amigos dela quando você os conhece, e os vê até com certa freqüência. Agora, não ter ciúmes quando a outra pessoa sai com os amigos ou algo que o valha a centenas de quilômetros da sua casa é oooutra estória.

Pro seu namoro não virar um inferno, tente se controlar. Tente entender que não há nada que se possa fazer, senão vocês vão virar dois parasitas que só ficam dentro de casa. Tente contornar, tente conhecer as pessoas que a cercam. Quando ela sair, se distraia: jogue videogame, trabalhe, saia também, sei lá, dá seu jeito. Ou então passe a noite no meu blogue lendo, você não vai se arrepender. Uma coisa que se deve evitar de qualquer maneira é fazer ciúmes de propósito. Acredite em mim: não vai passar tão rápido. Não piore uma coisa que já é complicada. Faça o máximo para tentar amenizar os ciúmes da sua namorada. E os seus, claro.

 

 

Insegurança

 

Rapaz, esse é um ponto chave pro assunto. Não to falando de insegurançazinha boba de adolescente. To falando de insegurança real, baseada em fatos reais e levando-se em conta a situação como um todo. Todo mundo gosta de ter alguém por perto, inclusive a sua namorada. O perigo aqui é se tornar paranóico com a idéia de que a qualquer momento ela via se envolver com alguém que esteja por perto. Isso pode acontecer? Claro, como poderia se ela morasse na casa do lado da sua. Poder acontecer pode, mas você não precisa ficar pensando nisso o tempo todo.

A solução nesse caso é, pra sua insegurança, primeiro relaxar. Não adianta ficar pensando nisso, porque se tiver que acontecer, vai acontecer ou não independente de você pensar nisso ou não. Tente fazer com o que o pouco tempo que vocês passam juntos seja prazeroso, e tente minimizar as brigas e discussões bobas, pra depois não ficar pensando besteira por aí, achando que ela vai te trair ou arrumar outro só porque vocês brigaram. E claro, torcer pra que ela seja madura o suficiente pra perceber que vocês se amam e que vai valer a pena depois segurar as pontas agora.

Quanto à parte dela, faça o mínimo pra que ela se sinta segura, e perceba que se você ta com ela nessas circunstâncias, não é a toa. Não fique falando das suas amigas mulheres o tempo todo pra que ela não se sinta menos importante. Dê atenção a ela e mostre que você está ali sempre que ela precisar, ainda que longe. Não se esconda dela pra atender ao telefone nem “esqueça” de contar detalhes, como dizer que a sua amiga estava no bar com vocês também ou que sua ex te ligou pedindo um favor. Mesmo que você seja esquecido e retardado como eu, esses deslizes podem fazer ela pensar que você tinha motivos pra “esquecer” de contar isso.

 

Sexo

 

Bem, esse ponto é bem complicado. Se você não for casado, nem for o Zé Mayer, o Chico Buarque ou não viva disso, provavelmente você não faz sexo todos os dias. Então, se você consegue ver sua namorada e, digamos, saciar essa loucura, dentro de ti, um peixe, para enfeitar de corais sua cintura e fazer borbulhas de amor à luz da lua, pelo menos uma vez por semana, não dá pra morrer. Mas se a frequência é menor o bicho pega. No começo você acha que é até melhor, tamanho fogo de vocês quando se vêem. Mas depois de um tempo, até catalogo de roupa de inverno vai fazer você levantar a mesa sem usar as mãos, com o perdão da expressão feia.

Pior ainda se a sua namorada for muit mais nova e não puder vir te ver. Aí, camarada, recomendo muitos banhos frios e um hobby que te ocupe bastante o tempo, como aprender a tocar um instrumento ou… Tá bom, aprender a tocar um instrumento não foi uma boa idéia. Tente não pensar muito nisso, e não ficar contando os dias para a próxima vez. Eu sei – e como sei – que é difícil, mas há de se tentar. E todo dia antes de dormir assista a algum bom documentário sobre a Antártida, sobre formigas ou desertos. Mas se os camelos começarem a rebolar muito, desliga a TV e vai dormir. Infelizmente, não encontrei nada que funcione nesse caso. A quem encontrar ofereço minha eterna gratidão, alem de um polpudo cheque como agradecimento.

 

 

 

Bom, é isso. Eu sei que foi superficial e rapidinho, mas o básico ta aí. Dúvidas, sugestões, elogios e pedidos de casamento serão bem vindos, embora os pedidos de casamento não possam ser aceitos. Xingamentos, reclamações ou frescuragem, falem com seus analistas. Abraços e até a próxima. 

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