You are currently browsing the monthly archive for Junho 2008.

Faz quinze minutos que estamos sem internet aqui na agência. Quinze minutos. Dez vezes menos que o tempo que a minha namorada demora pra se arrumar pra sair. Cinco vezes mais do que a duração de uma relação sexual pra um homem normal. Pra alguém que trabalha com planejamento online, não ter internet é como pra uma apresentadora de TV não ter silicone, ou seja, simplesmente não dá. Eu me achava um controlado, achava que minha internet-mania era só profissional, que eu ficaria dias e dias sem ver emails se eu quisesse. Pobre de mim. Nesses quinze, agora dezoito minutos sem internet, tentei ver meus emails doze vezes. Tentei abrir a internet vinte e uma vezes pra ver se ela voltava. E entre uma tentativa e outra, já joguei futebol de peteleco, tomei café, fui ao banheiro, fuxiquei as gavetas todas da agência, folheei cinco revistas de propaganda e mudei a posição dos meus bonecos na mesa sete vezes. Eles agora estão um tomando banho de sol, outro sentado na borda do meu monitor e o outro defendendo com um feroz rugido o meu telefone.
Isso sem falar que estou há cinco minutos escrevendo isso aqui. Não estou esperando nenhum email urgente, não tenho nenhum site para ver que não possa esperar nem preciso ver a última notícia do Fluminense com pressa. Ou seja, não tenho nada urgente pra fazer na internet. Mas mesmo se a internet demorar mais meia hora pra voltar vão me expulsar daqui, ninguém gosta de uma criança enchendo o saco sem brinquedo em um lugar cheio de gente trabalhando.
Se eu não trabalhasse com isso eu estaria tão desesperado? Tenho que admitir, mas provavelmente sim. Morro de inveja quando mando um email e a pessoa demora dias pra responder porque “só vejo meus emails umas três vezes por semana”. Três vezes eu vejo o meu em um minuto. E de gente que não tem orkut? Se inveja matasse… Ah, a liberdade… Msn ajuda a manter meu namoro a distancia dentro dos limites do controlável pra eu não enlouquecer de saudade, mas orkut… Um dia eu apago ele de repente, quebro o monitor com o teclado, jogo o desktop pela janela e inicio uma cruzada de enviar cartas-bomba para lan-houses ao redor do mundo. Uma espécie de Unabomber pós-moderno.
Vinte e sete minutos. E entre o primeiro parágrafo e essa palavra aqui, já tentei ver se voltou doze vezes, mudei os bonecos de posição cinco vezes e li todas as mensagens do meu celular. Eu sonho com o dia em que vou morar em uma ilha longínqua, alugando bicicletas pra turistas, tomando mojitos, comendo caranguejos e dormindo em uma rede. Só não posso morar numa choupana com teto de palha porque se chover molha o notebook e atrapalha a conexão wireless. Todo mundo ia morrer de inveja das fotos das havaianas rebolando de saias de palha no meu orkut. Mas eu não sou viciado, ia levar um computador só pra não abandonar vocês. Eu sei que vocês não iam agüentar viver sem meus textos… No fundo, meu vicio de internet é altruísta, é tudo por vocês. Tudo por vocês.

Mais do que um clichê, a expressão “último romântico” deve ser uma das frases mais usadas em músicas, poemas e outras frescuras literárias desses escritores que não comem ninguém nos últimos anos. Quase tudo já foi escrito sobre isso, e pretendo dar minha contribuição para que essa situação saia do “quase”. Na época em que o Lulu era novinho, no bom sentido, claro, e escreveu a música com esse nome, já eram poucos os românticos, e ele, num ato poético, se achava o último. De lá pra cá o quadro só piorou: não nasceram mais dessa espécie, e os poucos que existiam se cansaram dessa vida de sonetos, lágrimas, flores e amores platônicos. Hoje, existem menos românticos no mundo do que dinossauros na África. Há razões para isso. Muitas.

As mulheres mudaram muito, e hoje em dia um sujeito que tenta puxar a cadeira pra uma mulher periga tomar um tabefe, afinal, “você acha que eu não posso me sentar sozinha?”. As mulheres de hoje não querem caras românticos, que tratem elas com mimos e etcétera. Elas querem homens que rachem a conta, que não liguem no dia seguinte, que fiquem olhando pra bunda delas enquanto elas andam rebolando em direção ao banheiro, que não mandem flores, enfim, que não as tratem como mulheres, por que, afinal de contas, elas querem ser igual aos homens, e homem não liga essas palhaçadas! E ai de você se tentar acordar ela às oito da manhã do dia seguinte com um bouquet de flores e um sonoro bom dia, por que ela vai jogar tudo na sua cabeça e mandar você pra puta que pariu. Mas o que resta a um romântico solteiro fazer? Fundar uma ONG? Se entregar ao lado negro da força?

A única alternativa é esconder essa faceta. E viver como se não fosse nada com você, esquecendo datas de aniversário, pensando: “O que? Duzentos reais num jantar de aniversário? Com essa grana a gente passa uma semana num motel!”, ficando dias sem ligar e depois dizer “ué, não achei que você fosse ficar chateada…”, e ela fica, mas passa rápido, afinal, homem é assim mesmo e é melhor um canalha direto do que um pateta poético. Mas para os que se decidirem por essas sendas, um aviso: não é tarefa das mais fáceis. Você pode viver anos e anos guardando o monstro que existe em você, mas um belo dia, depois de terem feito amor, e ela for à janela fumar um cigarro enquanto discorre sobre seus dotes sexuais, você, sem querer, vai deixar escapar: “E de te amar assim, muito e amiúde, é que um dia em seu peito de repente, hei de morrer de amar mais do que pude”. E aí, amigo, corra pra proteger aquele exemplar de Vinícius que você lia escondido dentro de uma playboy, enquanto dizia o quanto a Maryeva é gostosa.

Vejam esse vídeo antes de ler o post.

A W/Brasil fez um filme pro Dia dos Namorados pro Serenata de Amor. Nem preciso falar que o vídeo é do caralho, afinal, a W é só a melhor agência do Brasil e uma das cinco melhores do mundo em comerciais pra TV. O flme fala que, quando nos apaixonamos, não nos apaixonamos por uma pessoa de carne e osso, segundo os psicanalistas, mas por uma projeção. E nessa projeção, a pessoa amada é um ser perfeito, inigualável e sem defeitos. Mas depois de um tempo, ainda segundo o filme, a projeção acaba, e passamos a conviver com a pessoa de verdade, com seus defeitos e imperfeições. As qualidade projetadas vão embora algumas, outras ficam. E se o que ficou for suficiente pra manter a paixão, a relação perdura, senão, desanda. Eu já conhecia essa teoria Freudiana, e ela reflete a realidade. E nós nunca somos espertos o suficiente pra manter a projeção, ou fazer uma projeção mais ou menos realista. Eu então, faço projeções tão realistas quanto promessa de candidato a verdeador. E geralmente a projeção não se mantém por muito tempo. O que é uma pena… E geralmente eu não sei perceber quando ela tá acabando.
Mas dessa vez eu prometi pra mim mesmo que não ia exagerar na projeção. Comigo não, violão. Mas mesmo assim, a tal projeção é algo que nos foge do controle. Com oito meses de namoro, não sei se a projeção vai durar muito. E tampouco sei se, quando ela acabar, vai restar alguma coisa. Mas a culpa não é minha. Eu fiz o meu dever de casa: fiz uma projeção modesta, tranquila, pra durar pra sempre. Mas não deu certo. E não deu certo por um motivo muito simples: a minha namorada simplesmente É a projeção. Depois de uns dois meses, eu percebi que eu não sabia mais o limite entre ela de verdade e a projeção. Eu deitava e pensava: “deixa de ser imbecil, ninguém é assim. Pára de esperar que ela seja a mulher mais perfeita do mundo”. E ia dormir resignado. E no dia seguinte ela não só correspondia à minha tresloucada projeção como a superava. E assim se manteve. Por isso não sei se a projeção vai durar muito, ou se vai restar alguma coisa. Porque implesmente nunca teve projeção. Ela sempre fez da projeção realidade.
Apesar da pouc idade e da falta de experiência e “tempo de estrada”, por assim dizer, essa bailarina dengosa soube como poucas pessoas – eu mesmo não sei – corresponder à expetativa criada por mim, e fazer merecer, muito mais do que eu, a projeção feita. E eu só percebi isso, pra ser bem sincero, hoje. Então, pra mim não faz diferença da projeção acabar ou não. Porque aos poucos, a projeção foi se tornando realidade. E hoje, a realidade é exatamente o que eu projetei. Uma mulher atenciosa, carinhosa, que se preocupa comigo; brincalhona, bem humorada, divertida, inteligente e segura; com personalidade, que não faz nada só de onda nem vai pela cabeça das pessoas. Exatamente como eu projetei no exato momento em que me vi apaixonado por aquela bailarina de pés pra fora que me tratava tão bem que dava até pra desconfiar. Demorei pra cair na real exatamente por achar que tinha alguma coisa errada. Quando a esmola é muita, o santo desconfia.
Mas eu caí na real e mergulhei fundo. E não me arrependi. Nem por um segundo. Apesar dos pesares, as vantagens sempre foram muito maiores que os problemas. Tudo bem que nas minhas projeções ela era um pouco mais velha e morava um pouco mais perto, mas desse jeito ficou até melhor, sabiam!? Porque nas minhas projeções ela não era tão risonha, nem tão dengosa, fora os acessórios, que são muito melhores do que o que eu projetava… Nos meus projetos os decotes eram menores, é verdade, e as saias bem maiores, mas isso tem sido negociado ao longo do tempo… Por incrível que pareça é o meu primeiro texto de dia dos namorados. Casa de ferreiro, espeto de pau. Mas dessa vez não podia deixar passar em branco. Por tudo que ela tem feito por mim, ela merece. Mereceria até um blogue só pra ela, mas aí ia perder a graça da surpresa. Evito escrever aqui diretamente pra alguém, mas dessa vez meus milhões de leitores em todo o mundo irão me perdoar. Bailarina, eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir; ter você é meu desejo de viver. Brincadeirinhaaaaaaa!! Sério agora, você me faz muito feliz de verdade. E você é tudo aquilo que eu falei lá em cima, e muito mais que eu não posso falar nesse horário, porque tem crianças lendo o blogue. Você sempre correspndeu às minhas expectativas mais malucas e sem sentido. E cada dia eu tenho mais certeza da escolha que nós fizemos, e nunca me arrependi de nada. Feliz Dia dos Namorados, bailarina. Do seu escritor favorito.

p.s.: depois disso tudo podemos combinar aquele rearranjo no seu guarda-roupas e a abolição dos decotes da sua vida, né?

É consenso e até lugar comum pra comentarista filisofar, se falar que o Brasil tem cento e noventa milhões de técnicos de futebol. Puxando a brasa pra minha sardinha, há certo exagero na frase. Desses cento e noventa milhões, vamos botar pelo menos uns noventa milhões são mulheres, que por limitações intelectuais, implicações legais e socos no olho pra parar de falar durante o jogo, não gostam nem discutem futebol. Logo, nos restam uns oitenta milhões de técnicos. Aí temos também as crianças com menos de dez anos e as pessoas com mais de oitenta, que só discutem futebol pra falar que o futebol não é mais o mesmo. Esses devem ser uns vinte milhões. E por último temos as classes intelecualmente superiores, que não ligam pra essas coisas baixas, mundanas e sem sentido como futebol, que são os atores de teatro infantil, os webdesigners, os professores de literatura e os bailarinos homens(?). Temos aí mais uns dez milhões. Então, se eu não errei a conta, só nos resta algo perto de oitenta milhões de técnicos. Ainda é muito, mas quase nada se comparado ao que vou falar agora. Apesar desses exemplos claros aí de cima, de gente que não liga ou não discute futebol, há um campo onde não há um ser humano sequer que não se ache o próprio Rubens Ewald Filho comentando o Oscar: a propaganda.
Quem trabalha com propaganda sabe disso. Todo mundo, das mulheres aos velhinhos passando (com as costas pra parede) pelos bailarinos e pelos atores de teatro infantil, se acha especialista. E não séo se acha especialista como também acha tudo uma merda e tem certeza que faria melhor. Há casos onde é evidente que poderíamos fazer melhor: eu como namorado da Carla Bruni, por exemplo, faria beeeem melhor do que o manda-chuva Français. Mas não é o caso.

- Amor, que que você acha desse comercial?
- Ah, sei lá. A menina é meio sem jeito, meio macarrão sem molho…
- Mas amor, ela é uma adolescente, e…
- Não tem essa. Podia ser uma adolescente mais Beyoncé, mais Mulher Melancia… E nenhuma adolescente fica se olhando no espelho com essa cara de boba. Tem que fazer umas caras sensuais, apertar os peitos…
- Mas ela quase não tem peitos! Por isso o comercial!
- Ainda tem essa:um comercial de sutiã e você bota uma menininha rodízio de chuchu com menos peito que o Rodrigo Santoro!
- Mas amor, ela tá se descobrindo, é o primeiro sutiã…
- Pior ainda! Pra que ela vai precisar de um sutiã com essas mordidinhas de mosquito aí? E hoje em dia menina não liga mais pra isso não. Tem que ser uma coisa mais ousada, mais quente. Esse climinha de menininha do interior que descobre que tem peitinhos não cola. E esse sujeito com cara de bobo olhando pra ela? O cara quer comer ela e ela acha o máximo? Quero ver depois que ele sumir e não ligar no dia seguinte se ela vai ficar feliz…
- Mas amor…
- Olha, bem, é minha opinião. Você sabe que eu entendo de propaganda, eu sou seu público-alvo, sou mulher… Entendeu?
- Entendi sim… (cabisbaixo)
- Olha, Washington, se você continuar tendo essas ideiazinhas meia boca não sei não. Ainda dá tempo de se formar em engenharia… Depois a gente vai conversar sobre aquele comercial da palha de aço. Você não vai botar aquele magricela pra anunciar aquilo, né!? Tem que ser o Cuoco ou o Leão, sabe, aquele goleiro do Santos!? Aquilo ia fazer sucesso com a mulherada e ia vender que é uma maravilha. Com esse magrinho meio careca sei não, se eu fosse o cliente não deixava você fazer isso não. Pensa bem, amor, ainda dá pra ser engenheiro. Esse negócio de propagana, Washington, acho que não é pra você…

Só que a mãe natureza, em sua infinita sabedoria, depois de pensar em uma maneira pros porcos-espinhos se procriarem e de inventar a pornografia online grátis, nos muniu de algo que é vital pra nossa sobrevivência: o Ego de publicitário. Maiúsculo. Se for publicitário atedimento (?) é com minúscula. Mas o nosso é com maiúscula mesmo. Então essa é a manha. a gente mostra o que a gente faz pra todo mundo e faz uma amostragem: pega os votos de quem achou muito bom, soma com os dos que acharam genial, e ignora por falta de critério os que não acharam bons, afinal, pra não achar bom uma coisa que a gente fez o sujeito deve ser meio burro, e a gente não quer esse tipo de gente dando pitaco nos nossos trabalhos. E assim vamos vivendo e sobrevivendo em meio à essa savana africana que é o mundo da propaganda. O pior é que ao contrário do futebol, a gente ainda periga topar com um vEadinho ator de teatro infantil, alguma gazela bailarina ou um delicada, educada e saltitante girafinha webdesigner nessa selva… Realmente é muito mais duro ser publicitário do que tecnico de futebol…

Acompanhe o Ego

Textos novos todas as segundas e quintas! Anote na sua agenda e visite o Ego com mais frequência!

Leia os textos antigos

Já contribuíram para o crescimento do meu Ego

  • 144,909 malucos

 

Junho 2008
D S T Q Q S S
« Mai   Jul »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930