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Antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro que esta carta nada mais é do que uma divagação, um devaneio, enfim, maluquice mesmo, até por que, eu não acredito em você. Já sei o que o Senhor deve estar pensando: “Ah, não, mais um desses intelectualóides que fingem que não acreditam em Mim, e quando se fodem na vida me escrevem textos idiotas dizendo que a culpa é minha, que eu sou egoísta, que isso, que aquilo”. Pode ficar tranqüilo, não é esse o caso. Apesar de eu estar me fodendo bastante também, não é esse o ponto aqui. Essa missiva é tão somente para expor algumas dúvidas que tenho com relação a uma de suas melhores, maiores e mais faladas invenções: o amor. Eu digo amor no sentido amplo, não no sentido carnal. Nesse, felizmente, eu me viro muito bem, obrigado. Sem falar que ele é bem mais simples, e mais, digamos, palpável.
Eu sempre achei o amor uma coisa meio complicada. E, como se não bastasse, as pessoas ainda o complicam mais ainda, ao invés de tentar simplificar. Elas ficam tentando encontrar explicações prá tudo o tempo todo. Tentam racionalizar tudo e achar respostas pra perguntas que não foram feitas. Será que vai dar certo? Será que ela é a pessoa certa? E na ânsia de encontrar respostas, acabam encontrando coisas que não estão lá. E depois te enchem o saco, dizendo que a vida é complicada, coisa e tal. Passam a vida tentando encontrar a pessoa certa, e quando encontram, vão logo botando defeitos e encontrando problemas. E quem procura, acha.
Na minha humilde, porém atrevida opinião, acho que as coisas deveriam ser um pouquinho mais simples. Por que tanta gente ama a pessoa errada? Por pessoa errada, leia-se pessoas que não compartilham do mesmo sentimento. Por que, e isso é a maior dor que alguém pode ter, alguém que até ontem tinha você como a coisa mais importante do mundo, hoje não te ama mais, como se tivesse enjoado de um par de sapatos ou de um rádio velho? É bem difícil não perder a fé quando se perde a pessoa mais importante de sua vida, por mais que seja fato de que sempre se encontra outra pessoa mais importante da sua vida. Por que dor de amor não passa com aspirina ou com uma compressa de água quente no local? Por que deixa tanta marca? Isso era mesmo necessário?
Mas ainda assim, continuo achando o amor o motivo pelo qual vivemos. Nada é mais prazeroso do que ver nos olhos de alguém o quanto você é querido e o quanto você é importante. Saber que alguém se preocupa com você e te quer bem. A vida já vale a pena só por isso. Como bem disse o poetinha, dor de amor que não passa é por que o amor valeu. E como valeu. Mas podia doer menos. Garanto que a gente ia entender o recado da mesma maneira. Atenciosamente.
Bom, o post de hoje vai ser meio grande. É uma costura de coisas. To tentando escrever há meses e nada. Não sai nada. Tanta coisa pra falar, e nada sai. Eu sento, faço força, pego um jornal, e nada. Até biscoitinho de fibras eu comi, e nada. Até que terça passei em um sebo. Não sei como chama sebo fora do Rio, mas é um lugar que vende/compra/troca livros usados. Então, fui lá. Como bom desempregado, tinha dez reais pra comprar um livro. E como não gosto de livros espíritas/eróticos/de auto-ajuda, dez reais não dá pra comprar um livro. Mas lá dava, e fiquei caçando algo legal. E entre clássicos, revistas de sacanagem e reedições do Paulo Coelho em Cantonês, eis que achei um livro FODA! O livro se chama “The Last Word – ‘The New York Times’ Book of obituaries and farewells”. Óóóóóóó… Isso mesmo, cambada! Uma coletânea de 74 obituários publicados pelo New York Times nos anos oitenta/noventa.
Antes que achem que eu sou um necrófilo, ou algum tipo de Emo de cabelo engomadinho e cordão de caveira, explico o porquê do alvoroço: os obituários do NYT são verdadeiras obras de arte. Os maiores jornalistas que trabalham na redação do NYT passaram por lá. É uma arte. Não um trabalho relegado a segundo plano. Indico, o livro é demais! Mas então, o tema que não saía, né… Pois, aí eu pergunto: um livro de obituários faria sucesso no Brasil? Um jornalista escrevendo obituários como eles escrevem lá, faria sucesso no Brasil. Não, no mínimo ia ser processado por uns quinze grupos de babacas defensores de qualquer merda.
Se os EUA têm uma vantagem, e isso eles têm mesmo, é a não contaminação da sociedade pelo (“pthu!” – cusparada no chão) “politicamente correto”. Num país onde preto é negro, pobre é classe ascendente e mendigo é “cidadão em situação de rua”, falar de gente morta, e nem sempre falar bem, ia dar o que falar. Lá, e nos países realmente desenvolvidos, preto é preto, gay é gay e ator de teatro infantil é gay. Simples assim. Como diria o reclame, as coisas são como elas são. Ninguém deixa de ser preto por ser chamado de negro, nem deixa de passar fome ao ser condecorado com um “cidadão em situação de rua”. Nesse país de merda com uma imprensa de bosta e uma internet que ainda não se decidiu entre a merda e a bosta, o racismo, o preconceito e o nojinho são mascarados com essa babaquice politicamente correta. Aí vem um outro dia falar que os blogues grandes fazem um trabalho não – politicamente correto. Boa piada. Fazer charge do César Maia ou piadinha com prefeito é não ser politicamente correto? Conta a do português agora.
Porque eu não posso fazer piadas com meus amigos pretos, gordos ou viados, como eles fazem porque eu sou magro? Posso sim. E quer saber? Ele nem liga. Quem liga são os falsos “sem preconceito” desocupados. Isso sem falar que no Brasil morto vira santo. Não gosto muito co Casseta hoje em dia, mas outro dia o Madureira foi falar que não gosta do Gláuber Rocha e nego quase linchou o cara. Porra, Gláuber é chato pra caralho mesmo! Parece um moleque de treze anos andando com uma câmera na mão! Estética zero, direção zero. Salvo raras exceções. Não se pode falar nada que não seja espetacular de bom sobre alguém morto no Brasil. Até o Eurico Miranda quando morrer vão falar bem dele. Mas isso só muda com o uso. Com essa gente arrumando um tanque de roupa pra lavar e parar de defender essas nomenclaturas ridículas pro país parecer menos fodido e escroto. Num país como o Brasil, chega a ser uma piada tanto racismo, tanto preconceito e tanta gente passando fome nas ruas, e as pessoas falando assim. Imaginem a cena.
- Zé, tem um real aí?
- Pra que?
- Pra dar um trocado pro menino.
-Que menino??
- Aquele ali.
- Ah, o mendigo?
- Não.
- Não? Vai dar dinheiro pra mais quem?
- Putz, Zé, que insensível. O sujeito já passa fome, frio, tanta desgraça, e você ainda me chama o sujeito de mendigo.
- Porra, mas ele é um mendigo, caralho!
- Não, Zé, não é. Ele é um cidadão em situação de rua.
- Hahahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahhahahaha!
- Nossa, eu casei com um cara que ri da desgraça dos outros.
- Não to rindo da desgraça. To rindo do nomezinho. E o cara vai deixar de passar fome ou vai cair um cobertor quentinho no colo dele se eu não chamar ele de mendigo, por acaso?
- Não vai, mas vai se sentir melhor.
- Olha, eu desempregado do jeito que to, preferia mil vezes que me chamassem de “cidadão desprovido de vínculo empregatício regular” do que se me arrumassem um emprego. Sem dúvida.
- Nossa, que ridículo.
- Má, ridículo é achar que vai mudar o mundo inventando nomes novos pras coisas. O cara é mendigo, eu sou preto e seu irmão é bicha.
- Ele não é bicha!
- Tá bom. Vou refazer a frase: o cara é mendigo, eu sou preto e seu irmão usa tornozeleira de conchinhas e depila o peito. E qual o problema disso?
- Você não é preto! É negro. Afro-brasileiro.
- Preto e negro é a mesma merda. Não que seja uma merda, mas é a mesma coisa. E eu não sou afro-brasileiro, ninguém da minha família veio da África.
- Tá bom, Zé, é difícil conversar com você.
- To pensando em me processar por racismo. E como eu sou desempregado e nós somos casados, você que vai pagar a multa pra mim mesmo. Aí eu me separo e vou morar em Tambaba e andar pelado tomando água de côco o dia todo. Mas tem que levar uma toalhinha pra água gelada não pingar onde não deve….
- Babaca.
- Babaca não!! Cidadão mentalmente fragilizado e em situação momentânea de escárnio e falta de auto-censura.
- Vai tomar no cu!
- Tomar no cu não! Ser agente passivo em uma relação homossexual.
- AAaaahhhhhhh!!!!!
“O míssil é a arma dos incompetentes
“Desde o Telecatch Montilla, o mundo, estarrecido, não assistia com tanto interesse a cenas tão brutalmente cruéis e violentas com as que interrompem diariamente as novelas das 6, 7, 8, 9:30 e 10. Por trás desta guerra suja de óleo, está o milenar ódio entre animais de várias raças. Poucos são os países como o Brasil, onde porcos judeus, cães árabes, americanos burros, vermes portugueses e negos safados podem conviver pacificamente, cada um no seu canto. Segundo as profecias de Nostradamus, no fim do milênio, um líder de um país abaixo do nível e do Equador entraria numa floresta e lá se depararia com um tigre. E, para enfrentá-lo, teria apenas uma bala, porque o resto da munição teria sido vendida para o Iraque. Nessa misteriosa profecia, o tigre representa uma importante multinacional do petróleo, a floresta representa o verde de nossas matas e o presidente representa um papel ridículo, correndo dos credores internacionais em volta do lado de Brasília com uma melancia pendurada no pescoço. É óbvio, portanto, o significado das palavras de Nostradamus: Rosane Collor precisa fazer um regime urgente e cortar aquela franjinha, ou então o mundo será arrastado para uma era de destruição, violência e falta d´água. Neste momento, nunca é demais lembrar John Lennon. No seu sonho pacifista, Lennon imaginava um mundo de pás, mas nunca pegou numa enxada, e casou com uma picareta. Líderes sanguinários de todo o mundo, interrompam essa matança! Ouçam o apelo dos homens de bom senso: dêem uma chance à paz, para que ela possa, um dia, enfim, ganhar na raspadinha.”
Antes que as bonecas e os desocupados defensores dos direitos homoviadinhos, dos judeus ou dos animais resolvam me processar, continuem lendo. Apesar de atual, inteligente, desbocado e preconceituoso, o texto acima não é meu. Infelizmente. O texto foi retirado de uma edição do “Planeta Diário”. Pra quem não sabe, o Planeta era uma publicação sensacional, capitaneada pelos Cassetas Hubert e Reinaldo, e pelo Cláudio Paiva. Os caras não tinham o menor pudor nem auto-censura. O tablóide foi publicado entre 1984 e 1992. Pra alguém que deve ter sido processado por Deus e o mundo, oito anos não são pouca coisa. Com manchetes como “Candidatos gays dão tudo na reta final”, “candidatos epiléticos se debatem na TV” e “África do Sul proíbe negros de cagar na entrada e na saída”, minha enorme inveja e admiração por eles é compreensiva.
E se fosse hoje em dia? Não se pode mais nem fazer piada de português em paz. Todo mundo age hoje como os judeus agiam nos Estados Unidos nos anos oitenta, cheios de paranóia e achando que o mundo é contra eles. Piada só se for educativa e até blogues que costumavam fazer barulho, como o Kibe – que fazia barulho com a boca dos outros – e o Cocadaboa, agora tão chapa branca. Até entendo, o trabalho deles não deixa eles serem mais como eram antes. Puxar saco do Luciano Huck deve ocupar um tempo miserável na vida da pessoa.
Mas então porque ninguém toma a iniciativa de fazer um novo “Planeta Diário”? Não o mesmo, mas a mesma linha, dando a cara pra bater e sem rabo preso? Sinceramente, não sei. Eu tento fazer isso, mas uma andorinha só não bate até furar. Crônica de jornal, de revista, de site, de blogue, tudo chapa branca e com medinho de falar mal de alguém que amanhã pode te chamar pro clubinho de viado dele. Eu, como não ganho dinheiro com o blogue nem pretendo entrar pra grupinho de nerd que se junta pra ver Star Treck, to cagando pra isso. Nunca vi lugar pra ter tanto viadinho. Parece até grupo de teatro infantil… Só faltam as tornozeleiras de couro e as camisas de manga rasgada. E você, que também não ta nem aí pra isso, junte-se a nós. Pelo menos é divertido…
Bom, to escrevendo esse texto direto no editor do wordpress. É a pressa. Li uma notícia que achei que era até trote atrasado de primeiro de abril. Capa do globo.com há dez minutos: “Blogs do wordpress serão bloqueados, diz provedor”. Parece que Segundo a matéria, o Ministério Público expediu uma ordem judicial para bloquear o acesso a um único blogue. Mas o WordPress diz que isso não é possível, e vai ter que bloquear todos. Antes de falar mal do Governo, não acredito que um servidor como o WordPress não seja capaz de bloquear um único blogue. Logo, bloquear tudo seria, no mínimo, pirracinha. Se isso acontecer, meu blogue volta pro blogger, ou vai pra algum pontocom da vida.
E quanto ao governo, não era de se esperar nada diferente. Cada vez mais Lula segue os passos do Gagá Fidel. O Ministério Público não tá nem aí se vai deixar milhões de pessoas sem acesso aos seus blogs e sites. E quem vive disso? Bom, quem vive disso pode entrar com uma ação contra o Governo, por danos materiais. Não deixem de fazer isso, mesmo que vocês ganhem um real de adsense por semestre.
Não me oponho a tirar do ar sites de pedofilia ou ofensas raciais, mas já tá passando dos limites. Comunidades nitidamente de tom jocoso estão sendo tiradas do ar e piadas estão sendo levadas a ferro e fogo. Parece que o Brasil ainda não se acostumou a ter gente com voz pública que não tem rabo preso com ninguém. Eu estou tentando articular, e daria meu braço direito se isso acontecesse, uma publicação nos moldes do antigo Diário Popular ou do Pasquim. O Brasil tá precisando de gente que fale mal com embasamento, e não porque tá na mdoa falar. Precisa de gente que fale que o rei tá nu, de gente que não tenha medo de ferir eguinhos de merda ou com medo de não poder pedir favores amanhã por ter criticado hoje.
Que se fodam os egos e que se fodam os favores. Falta é culhão à impresna brasileira. É muito fácil falar que o pai da menina é culpado da morte dela antes do cara ser condenado, mas falar de gente grande ninguém fala. Falta uma imprensa que não tenha rabo preso, que jogue merda no ventilador e não saia correndo pra não respingar. Eu não pretendo fazer carreira na imprensa, nem na Globo muito menos no Governo. Se tivesse mais alguns parceiros mais responsáveis que eu, o projeto saía do papel. e pra fazer barulho, ditribuir em faculdade, shopping, a porra toda. Jogar no ventilador e dançar embaixo! Em tempo, se alguém aí for dono de algum grande conglomerado de comunicação ou for um milionário revoltado com tudo e quiser patrocinar a idéia, estamos aí pra isso. Ah, e precisaremos de advogados também…
Não sei quanto a vocês, mas eu não tenho a menor personalidade. Até propaganda de laxante me influencia. Eu vejo “Congo” e já quero ir pra África e criar um gorila no meu apartamento. Sempre fui assim. Eu morro de inveja das pessoas que sempre quiseram ser alguma coisa quando crescessem. Meus amiguinhos queriam ser médicos, advogados, dançarinas do Mc Créu ou, os que gostavam de criancinhas, queriam ser padres. Eu não. Eu queria ser o que tinha visto do dia anterior na TV. Se tivesse passado Rambo, eu queria ser militar. Se tivesse passado algum Woody Allen, eu queria ser escritor. Se tivesse passado Dirty Dancing, eu queria ser responsável pela programação da Globo, pra parar de passar essa merda. Enfim, o filme mais legal era meu sonho de “ser quando crescer” do dia seguinte.
E até hoje eu sou meio influenciável. Depois de ver alguns filmes, eu já quis ter araras, macacos, cavalos, furões, cobras; já quis ser jornalista, compositor, músico, policial; já quis morar em tudo que é canto do mundo, no campo, na praia, no espaço, no escambau! Enfim, eu sou um ótimo exemplo pras teses sobre influência do cinema e da TV sobre as pessoas. Nunca matei ninguém nem quis ser professor de dança em estação de esqui, afinal, tem certas coisas que nem a TV conseguiria me convencer.
Mas quer saber? Deve ser chato isso de sabe o que quer fazer… A criança ta lá, pequenininha. De jalequinho branco, querendo ser médico. Cresce, a vira um adolescente tarado e nerd, que só quer saber de estudar e saber tudo sobre doença. Entra pra faculdade e durante não sei quantos anos ninguém vê os cornos do sujeito, de tanto que estuda. Aí, anos e anos depois, ele vira o que? Um Médico! Que chatice! O sujeito já sabia disso há vinte anos! Cadê a emoção? Cadê a dúvida que faz a gente pensar “Peraí! Mas eu posso virar arqueólogo, ir pra África, comprar um chicote, um chapéu e uma roupa cáqui e procurar as minas do Rei Salomão. Vai que eu encontro…”. Cadê? Assim é muito melhor, um dia querer ter sido astronauta e no outro cowboy – mas sem a calça apertadinha. No fim a gente não compra uma jibóia nem vai pra china nem vira pára-quedista nem entra pra Legião Estrangeira. Mas com certeza foi muito mais divertido!


