You are currently browsing the monthly archive for Fevereiro 2008.

Tem uma frase em inglês cuja origem é meio obscura, que diz “Hate the sin, love the sinner”. Ao pé da letra, odeie o pecado, mas ame o pecador. Temos, homens e mulheres, a estranha e arraigada mania de querer sempre impor nosso jeito de ser e nossos gostos às pessoas, mesmo que inconscientemente. A velha piada machista que diz que as mulheres vivem tentando nos mudar, e quando conseguem, reclamam que não somos mais os caras que elas conheceram, é a mais pura verdade. É comum, alguns meses depois, aquele defeitinho que era um charme, se transformar no pivô de uma separação.

O namorado “atencioso e ciumentinho” que você tinha, vira “aquele babaca controlador e paranóico”. É a velha estória da roupa velha em fotografia. Não importa o contexto, o motivo ou a moda da época, mas sempre que você vê uma foto velha você pensa “meu Deus, como eu pude usar isso??”. A mesma coisa serve pra esses “charminhos”. Então, pra não se tornar o babaca controlador, deixe de ser ciumento hoje. Pra não ser o ex-namorado brigão e encrenqueiro, se torne hoje mais afável e menos irritadiço.

Mulher apaixonada tem disso. O cara pode ser estuprador, ladrão, assassino, fazer faculdade de moda ou ter um pôster com um pôr do sol e um pensamento do Paulo Coelho, que se ela tiver apaixonada, ela releva. E não só releva como acha até “bonitinho”. Até ver jogo na TV elas vêem. Mas claro, há também as variações: há a que não ache isso legal, mas finja que ache pros outros. Essa é bem normal. Mas cuidado, camarada, quando ela tiver começando a enjoar. É um caminho sem volta ou você muda ou vira o babaca do segundo parágrafo. E o pior é que ela vai começar a ver que os outros caras não são assim babacas e paranóicos. Nem ciumentos nem nada.

Então, amigão, é doloroso, mas a sua barba é ridícula, sua sandália de couro é horrorosa, seus ataques de ciúmes são absurdos, sua mania de perguntar tudo é irritante e ouvir o Padre Marcelo todo dia oito da manhã é chato pra caralho. Não importa o que ela diga. Mude enquanto é tempo. Mas não mude tanto a ponto de ouvir que você não é mais o cara que ela conheceu. Como? Sei lá, porra. Se eu soubesse fazia isso tudo eu mesmo…

     Não sei se alguém aí já sentiu isso. Nem sei se alguém vai entender. Também, to nem aí se vão entender. Eu queria escrever sobre isso, mas pela primeira vez em vinte e oito anos, não sei como. Sei o que quero dizer, mas não sei como. Só me vem uma frase na cabeça: eu nasci pra ficar sozinho. A longo prazo, claro. Alguém aí quer ser solidário a minha dor e me dizer se já sentiu isso?

     Não digo isso por nenhuma desilusão, pé na bunda, chifre ou tempo de vacas magras. Nada disso. Tenho quase cinco meses de namoro. Minha namorada é uma pessoa fantástica, daquelas que a gente só vê com os outros, mas que nunca cai na nossa rede. Mas ela caiu. Então, uma namorada ótima. Mas as vezes eu sinto e faço algumas coisas, que não consigo parar de pensar que não haveria pessoa no mundo que concordasse com uma idiotice dessas. Será que só eu sinto ciúmes de idiotas rondando a minha namorada que nem mosca em poça de Coca-Cola? Será que só eu fico chateado quando ligo morrendo de saudade e ela ta fazendo ou vai fazer alguma coisa e não vai poder me dar atenção? Será que sou o único babaca no mundo que fica puto da porra da vida quando ela trata bem imbecis que trataram – e ainda tratam – ela com desprezo?? Puta que pariu, será que é só comigo?

     Aí fica aquela sensação de “até quando ela vai aturar isso?”. Eu tento, juro que tento. Mas não dá. Seria mudar no âmago coisas que sempre pensei e acreditei. E anos e anos de convicção não vão embora assim, vapt vupt. Não mesmo. Muito menos consigo explicar meus pontos de vista malucos pras pessoas. E tome fama de brigão, encrenqueiro, ciumento, idiota etc etc etc. E ela e as pessoas me olham como quem diz “oolha, gente. Ele é assim mas ele é legal. A gente tem que aceitar ele como ele é”, como se eu fosse um leproso querendo dormir de conchinha com o mundo inteiro.

     É foda. Bota foda nisso. Aí não consigo parar de pensar que, independente de errado ou certo, sou o único cretino que pensa assim, logo, devia mesmo é ficar sozinho. Na boa, sem demagogia nem charminho. É foda esse sentimento de “qual vai ser a próxima merda que eu vou fazer?”. Aliás, alguém mais, quando a namorada sai e somos obrigados a ficar em casa, fica morrendo de vontade de pegar um taco de baseball, sair pra rua e quebrar tudo? Ou de pegar a porra do monitor e arrebentar ele na televisão, não sem antes chutar o notebook? Alguém?

Muito se fala sobre entender as mulheres hoje em dia. Ta na moda. As mulheres reclamam que não as entendemos, e nós, nos dividimos em dois grupos: os iludidos – que acham que entendem -, e os conscientes – que são cientes de sua ignorância. Antes que perguntem, me encaixo no segundo grupo. Aliás, me encaixo em um grupo que acabei de criar: o dos “Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”. É isso mesmo. Não entendo, e não to nem aí! Antes de achar que eu virei bicha, webdesigner ou me entreguei ao celibato, eu limpo a minha barra.

Minha tese é alicerçada na máxima máxima de que as mulheres não foram feitas para serem entendidas, mas para serem amadas. Meio romântico, eu diria que para serem amadas pelos quem amam, odiadas e/ou invejadas pelo(a)s que não são muito chegados e por aí vai. Apesar de revolucionária, a teoria é bastante simples: se você consegue viver bem e em paz com a(s) sua(s) mulher(es) – no sentido amplo – pra que entendê-la? Só pra engordar a carteira dos analistas? Se vocês são felizes e se fazem felizes, por que diabos você precisa saber qual a diferença entre vinho, bordô e “terra molhada no por do sol”? Pra nada! Basta você dizer “lindo seu batom bordô!” quando ela perguntar o que você achou. E todos vivem felizes para sempre.

Eu, por exemplo, não falo a menor idéia de porque minha namorada detesta meu videogame ou porque quanto mais ela emagrece, mais ela se acha gorda. E pra que eu quero saber? Pra nada! Eu contorno o ódio dela pelo coitadinho, e digo o tempo todo que ela é linda. Até porque, ela é de verdade. E voilá! Eu não entendi, ela ficou feliz e happy end.

E não adianta falar que sua namorada é compreensiva e coisa e tal. Comigo pelo menos, quanto mais minha namorada tenta me explicar, menos eu entendo. E quando eu entendo, ela contradiz tudo aquilo na próxima explicação, e a culpa ainda é minha que “não entendo nada nunca!”. Se for aquela época do mês que não se pode falar o nome então, nem tenta. A melhor saída nessa época é, além de não tentar entender, concordar. Sempre. Com tudo.

No fundo, o que importa não é entender. É conviver bem. Você sabe porque seu carro anda, desde a queima da gasolina até os aspectos mecânicos? Você sabe porque o flamengo, com dezoito cabeças de área em um time, vem ganhando todo mundo? Você sabe porque você ta lendo isso aqui até o final, mesmo me achando um encrenqueiro, “fazedor de polêmica” e preconceituoso? Não. Mas mesmo assim as coisas funcionam. Então, esse é o ponto. Não tente entender. Faça funcionar. Se parar de funcionar, tente de outra maneira. A impressão que eu tenho com relação às mulheres é a mês que tenho com relação aos professores de matemática: nem eles fazem a menor idéia do que falam. Nenhuma. Só falam com aquele garbo todo e aquela certeza toda pra nos impressionar. E nós ficamos achando que eles sabem, e eles nos achando uns idiotas. E vida que segue.

        Há exatos dez minutos cheguei à uma conclusão, no mínimo, dolorosa. Certas constatações nos atingem como um peteleco no saco. além de dor muito, fica doendo por horas… Em uma lan house, no meio do carnaval, pra ver emails e manter o vício dentro dos limites aceitáveis. E aqui, em meio à muito créu, muita ivete e muito engarrafemento, descobri que sou um pária, um eremita, praticamente um Robson Cruzoé de Niterói. só tenho 304 amigos no orkut. Entre figuras como Satan Goss, Costinha, Jesus Cristo, Seu Madruga, Chuck Norris ou o Batman, devo conhecer pessoalmente quase todos os outros, uns duzentos e cinquenta. No programa de mensagens intantâneas, devo ter umas cento e cinquenta pessoas, das quais conheço a totalidade pessoalmente, menos pelas pessoas que adicionei por motivo de trabalho ou aqui pelo blogue.

     Entretanto, fiz uma pesquisa entre meus “amigos” do orkut, e constatei que, dentre todos eles, eu sou o que tem menos amigos por lá. Todos têm mais de quinhentos, seiscentos amigos. Isso sem falar que uma grande parte tem entre oitocentos e mil, e uns dez por cento tem mais de mil, ou seja, dois perfis! Me senti o próprio Bill Gates passeando por Cuba. Com menos amigos do que crítico de teatro, mais sozinho e triste do que mulher que tem fetiche por mãos e casa com proctologista, enfim, mais chato que itinerário de elevador. Ah, a internet. Quando eu era adolescente não devia conhecer mais de cem, duzentas pessoas, tirando familiares, professores etc. Hoje em dia qualquer moleque de dezesseis anos tem três perfis no orkut, num total de três mil - TRÊS MIL!! – amigos e umas seiscentas pessoas no msn. Eu me achava popular porque recebia umas vinte, trinta ligações no meu aniversário. Sem contar familiares. Hoje um moleque desses recebe no mínimo umas cem mesagens de parabéns no orkut. E ainda acham pouco.

    Mas desses mil, dois mil amigos, quantos será que eles conhecem pessoalmente? Quantos ele podem chamar pra um chope quando precisarem afogar as mágoas? Com quantos eles podem contar quando estiverem tristes, desempregados ou quanto tomarem um belo pé na bunda? Em quantas das pequenas que eles têm no orkut eles já deram uns bons amassos, umas boas bolinadas ou com quantas delas ele já gastou o latim tentando descolar um beijinho ”só pra dormir feliz?”. Aposto que a resposta pra essas perguntas deve ser algum número beeeeeeem menor do que os trilhões de amigos adicionados. Mas será que pra essa geração é mais importante ter milhares de melhores amigos que você não conhece nem nunca chamou a mãe deles de tia, do que ter poucos amigos de verdade que chegam na sua casa, mijam de porta aberta e abrem a tampa das panelas pra ver o que tem pra filar hoje? Parece que sim…

     Pra minha geração não era. E continua não sendo. Tenho uma grande resistência em ter “amigos” que não conheço pessoalmente nem tenho pretensão de conhecer. Nunca quis ter um milhão de amigos, e bem mais forte poder cantar. Prefiro meus poucos amigos e nem tão pouco conhecidos do que centenas de estranhos que só porque vêem minhas fotos no orkut e me mandam parabéns nessa data querida, se acham meus melhores amigos. Prefiro minha meia dúzia de mensagens de amigos de verdade do que centenas de parabéns de miguxos que sequer sabem nosso time de futebol. Quando falo isso, sou tachado de anti-social, metido, arrogante etc etc etc. Apesar de puxar meu saco com esses adjetivos, isso não mexe com a minha opinião. Melhor um amigo que te chame de viado, sumido e filho da puta do que milhares de amigos que milhares de miguxos que nunca trocaram figurinha comigo, não roubam meus livros e meus CD´s nem tem a pachorra de falar mal de mim no meu próprio blogue, porque acham que eu ia ficar “trixti e cholandu”. Amigo mesmo xinga, fala mal e depois te chamam prum chope. E tenho dito. 

Acompanhe o Ego

Textos novos todas as segundas e quintas! Anote na sua agenda e visite o Ego com mais frequência!

Leia os textos antigos

Já contribuíram para o crescimento do meu Ego

  • 144,891 malucos

 

Fevereiro 2008
D S T Q Q S S
« Jan   Mar »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
242526272829